sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eu tenho medo do Big Brother... É mais fácil do que parece...

Quanto aos critérios de pagamento nas Scuts, o Minho é uma das regiões mais pobres do país, e não existe qualquer outra opção para ir de cá até ao Porto sem ser pelo troço em questão. Existem estradas nacionais, mas com má qualidade, velhas e longas. Não constitui alternativa.

É por estas e por outras que me rio quando ouço um certo senhor a falar de aproveitamento político e de optimismo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010




“Somos demasiado medrosos, demasiado cobardes para nos aventurarmos a um acto desses (…) estamos demasiado presos na rede das chamadas conveniências sociais, na teia de aranha do próprio e do impróprio (…)”

in Caverna


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Esta merda é pessoal



Isto de viver é aborrecido. Ou nem por isso. É mais sacanagem, brincadeira que não cabe a todos. Digo eu. Não diz ninguém. Silêncio filho da mãe. Não sei que tenho contra o silêncio ou contra o que não sucede (talvez não tenha nada), mas neste momento apetece-me acontecer, sei lá, talvez sem querer. Ninguém diz nada, e continuamos perdidos, escondidos, assustados.

Gosto das coisas que acontecem sem querer. Todos esses planos, esses génios filhos do trabalho são um fiasco, uma mera aproximação do homem ao superior. Gosto de fluência, do acaso e do genial. Assim como gosto da miserabilidade que o assombra. Por vezes também gostava de ser um assombrado, um desses poucos, miseráveis maiores. É pura brincadeira, pura sacanagem. Aquilo custa, e não sou homem de custos, sou poupadinho, nos esforços e pagamentos. É cair por acaso, e por acaso cair no céu. Cair eternamente no vazio, no que não nos pertence. Porque nada pertence aos miseráveis: são superiores a tudo, nada prende o suficiente. Eu prefiro ter chão debaixo dos pés.

Pessoalmente as pessoas pensam. Pessoalmente as pessoas são. Pessoalmente as pessoas pessoam, e fazem por pessoar. Não sei se jamais pessoei acompanhado... E também não sei se já pessoei sozinho, enfim... Há pessoas que têm um terrível problema em serem elas próprias. Talvez porque não sejam. Talvez sejam demasiada coisa. Ou simplesmente estejam demasiado ocupadas para serem elas próprias.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A democracia e o fascismo - breve referência



Quando se utiliza como argumento " é ofensivo e incorrecto atacar-se o Governo porque foi democraticamente eleito", cai-se numa falácia gigante, que supõe que a democracia é um regime perfeito... Não o é... Já não falo da enorme demagogia nesse acto, porque sempre os governos foram atacados, só este é que parece sair do Paraíso...

O facto é que mesmo que tenha sido democraticamente eleito, o governo está susceptível a apupos, e ainda bem que está. A quem acha que ir contra a democracia é um acto de fascismo, eu relembro que o fascismo é a imposição de uma maioria, não necessariamente em número de pessoas, face a uma minoria. A Alemanha Nazi aniquilou, ou melhor tentou aniquilar, os judeus porque a maioria do poder alemão assim o quis, por isso não me venham com histórias de que temos de respeitar as decisões da maioria... É uma comparação parva, mas é a equivalente a uma que li.

Li algures que o BE (note-se que não estou a defender o partido, mas sim a atitude, que subscrevo) é fascista porque organizou uma manifestação contra o governo, no 10 de Junho, visto ir contra a vontade do povo. Fascismo é atribuir a um povo inteiro a vontade de uma maioria. Maioria essa com certeza com alguns ignorantes destes. É nestas alturas que percebo a podridão do país e do mundo: manifestar uma opinião, manifestar um protesto. Percebe-se depois que este Governo colida com a liberdade de expressão (não falo do caso Face Oculta): é o "povo" que temos.

A ouvir #45

sábado, 12 de junho de 2010

Ausente



Tenho estado ausente. Ausente de mim. É incrível como tudo fica incrivelmente bem feito quando estou ausente. As coisas correm bem, como se fugissem da realidade presa nos sentidos. Não, não faleço com a realidade, mas decerto fico preso em coisas que não pertencem, nem me deixam pertencer. Então, o que me custa, porque não fico um pouco mais tempo ausente?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

...

chega a ser perverso, depois de uma noite de trabalho árduo na construção de um novo design para o blog, aparecer, no dia seguinte, uma nova funcionalidade que torna tudo isso trabalho de criança...

A ouvir #44 (especial 1º Aniversário)

terça-feira, 8 de junho de 2010

O sentido da vida: trabalho para filosofia


quadro de René Mgritte, Homesickness

Curiosa realidade a existência. Inexplicável talvez. Por vezes imagino um mundo lógico, e nele apenas uma coisa é patente: o nada. Tudo o que não seja nada é algo complexo e muito pouco lógico, que provavelmente não deveria existir (só o nada pode existir: curiosa e fortuita negação). Curiosa a condição humana, que, por estar condenada a um início e um final, estranha o eterno e o etéreo, não o concebendo de outra forma que não a do nada.

O sentido da vida é bastante claro: a morte. Se a tomarmos por uma estrada e compreendermos que começa no nascimento e termina na morte, vemo-lo claramente. O que há antes e depois da vida? Acredito seriamente que é a inexistência. Acredito seriamente que o sentido da vida é a inexistência. A vida tem como finalidade a inexistência.

Maldita sorte que nos põe no rumo de algo que não desejamos. Nem sempre queremos existir, mas tememos com todas as forças que temos a inexistência. Por isso surgiram os Deuses e as religiões, os livros e a arte: para ouvirmos uma não verdade (que não é necessariamente mentira) e para nos fecharmos num admirável novo mundo. E ainda bem que surgiram.

Tudo depende da perspectiva através da qual vemos o que quer que seja. Eu acho que o facto de o sentido da vida ser a inexistência é extremamente libertador. Como poderemos nós falhar? É impossível em teoria (não digo que o seja na prática porque não é possível provar tal coisa) um ser humano não chegar à inexistência. Isto significa muito simplesmente que ao nascermos já garantimos o objectivo da nossa existência. Que é que isto significa? Liberdade! Podemos ser o que quisermos, não temos de fazer absolutamente nada. Tudo o que temos de fazer é morrer um dia, e isso está-nos à partida garantido! Temos essa liberdade, e a liberdade acaba por ser o nosso sentido de vida: temos de ser livres, o quanto quisermos!

O nosso destino está traçado, mas não o itinerário… E eu vejo nisso a maior bênção de todas: sabemos como é o final, mas o resto está inteiramente por nossa responsabilidade. Temos limitações físicas e psicológicas? Temos, mas temos também imensos espaços vazios em nós que podemos preencher, ou deixar vazios, como muito bem entendermos. Gosto também de pensar na inexistência como a liberdade total, gosto de pensar que a inexistência, pouco mais é que uma existência sem limites, mais etérea, mais perfeita, e que por isso, quando morrermos vamos entrar numa outra dimensão, quando nos desprendermos do corpo, da alma, da mente, de tudo: a dimensão do nada, a dimensão do lógico.

Não tenho medo da inexistência, é ela que nos dá um motivo para existir: sermos livres (temos de estar preparados para quando passarmos a existir sob a forma de nada) para explorarmos todos os mundos possíveis, impossíveis, lógicos ou absurdos. A inexistência que um dia teremos (ou seremos?), dá-nos um motivo para sermos humanos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Actor das causas diárias


fonte

Eu, enquanto ser humano, devo dizer que sou susceptível à sociedade à minha volta. Não me deixo influenciar directamente, mas tenho tendência em representar o que sou. Forçar movimentos, forçar discursos, etc. Enquanto isto me sucede, vou-me apercebendo de que me vou tornando nessas representações, nessas personagens que crio e fecho num tempo determinado. Busco a naturalidade em tudo o que faço. Busco a liberdade. É isso que tento fazer sempre que faço, o que quer que seja. É nesta minha busca que me perco por entre quem sou, quem quero ser e quem quero mostrar ser.

Sou o quê afinal? Responde-me só a isso... Sou quem sou? Quem quero ser? Ou o que mostro ser? Talvez a ponte de tédio que vai de mim para o outro ... Perco-me por entre os mares da representação, da essência e do sonho. Será assim tão difícil ser natural? Serei natural quando tento mostrar algo que não sou, mas que afinal talvez seja? Pão com chouriço e talvez seja, porque toda a gente assim. Eu, tu e o outro, por trás daquela fotografia, olhando o avô que chorava. Ninguém percebeu, mas naquele momento ele foi natural, e quis mostrar que o era. Actor das causas diárias, representação esquemática de um homem perdido na Terra.