sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011



Fleet Foxes

2010 está quase a acabar. para 2011 espera-se por:

- Sean Riley and Slowriders que já entraram em estúdio para gravar o 3º álbum, depois de um Only Time Will Tell que trouxe uma evolução considerável em relação ao primeiro.

- Psicotic Jazz Hall de Kubik, 6 anos depois de Metamorfose que foi considerado um dos melhores álbuns portugueses desse ano por diversas publicações. este novo álbum promete uma abordagem mais próxima do Jazz, que, a seguir pelo primeiro tema já disponibilizado, Shina-Kak, será um dos álbuns obrigatórios de 2011.



- Devotchka lançam a 15 de Fevereiro 100 Lovers

- Fleet Foxes preparam o segundo álbum. depois do prometido no álbum homónimo de 2008, este será, em princípio, o grande disco do ano. ainda não há um título para o álbum e nomes como Slaughternalia e Deepwater Horizon têm sido considerados.

resta-me desejar a todos os visitantes deste blog um espantoso 2011

ao longo desta semana farei também uma retrospecção sobre o ano que passou, breve como tirar um ticket.

o fabuloso filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain



com uma brilhante realização, Le Fabuleux Destin d'Amelie Poulain é um obrigatório conto sobre solidão, justiça, diferença, imaginação e medo. por entre este emaranhado de realidade aperfeiçoada e adaptada ao íntimo de Amelie, de efeitos artísticos absolutamente avassaladores, destaca-se ainda um som: a música de Yann Tiersen que povoa com algo mais a obra-prima de Jean-Pierre Jeunet.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Flaming Lips - Powerless



não é a primeira vez que posto algo dos Flaming Lips, e do seu esquizofrénico álbum Embryonic. primeiro uma música sobre a capacidade de se conseguir ser qualquer coisa, agora "you should do what you enjoy/ no one is ever really powerless". uma mensagem optimista carregada de amor à liberdade que contrasta na perfeição com uma música pessimista, que perde força por via de um trabalho de baixo absolutamente brilhante.

sholi - november through june



um dos melhores discos de 2009, uma das melhores revelações da década transacta. arquitectada sobre uma melodia desconcertante, cresce e desabafa sobre aquilo que, aparentemente, é a natureza do amor (interpretação livre do autor deste blog, pode muito bem estar errada), tema corriqueiro facto que não tira grandiosidade à obra, dada a enorme dimensão instrumental e notável construção lírica, fazendo transparecer um desespero do tamanho da música. além disso os versos "this is for myself/ this is not for you" acrescentam algo à letra que, estando eu certo na minha interpretação, acrescenta muito a um tema que parece esgotado.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010



"A morte não espera nem atende. É estúpida. Primeiro é estúpida, depois é incompreensível. É tremenda porque contém em si mistificação ou beleza. Absurdo ou uma beleza com que não posso arcar. O nada ou uma coisa que a minha imaginação não atinge."

Raúl Brandão em Húmus

Por falta de disponibilidade não vou acabar de ler o livro, mas é uma interessante reflexão sobre a morte e o marasmo da vida.

estamos a morrer



Boris: I'm dying! I-I'm dying!
Jessica
: Should I call an ambulance?
Boris:
No, not now! No, not tonight, I mean eventually!
Whatever Works de Woody Allen

estamos a morrer. é uma realidade difícil de compreender.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
Fernando Pessoa

le miserable - working on something miserable vol.1 - insanity and maçãs drove me mad



esta é a primeira experiência. divagações musicais que de muito pouco valem. nos próximos tempos (1 mês/ 1 ano) conto apresentar algo mais extenso, mais bem concebido.

de qualquer forma, para escutarem:
http://www.myspace.com/miserablife

a ouvir alguma coisa ouçam a 9 days. é uma ideia que já estive para trabalhar de outras formas, que acho que resultou bastante bem desta, mais simples.

o ep (muito curto) está abaixo, só tem mais duas micro-faixas ruidosas.
http://www.mediafire.com/?qi7nuak19antjjj

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Big Fish - Tim Burton


"não vás já! bebe mais um copo"


oficina de escrita, portefólio pt 1ºp. 2010

porquê acabar tão cedo? peca a eternidade de parcimónia? bem-vindos ao passado, ao presente e ao futuro, que estou com insónias e perco-me nos tempos. sempre soubeste os números, e teu nome é o desespero de viver. viver menos que absolutamente, ser livre tão pouco como apenas muito, é pecado, crime, é peso no peito. temos a eternidade para viver, mas também ela passa, ou somos nós que passamos, ou somos passados. não é preciso um sentido, uma razão. tudo ao acaso e tudo como é hoje. bastava um bêbado ter acertado na sanita enquanto mijava e o mundo diferente, completamente.

o mundo é um sonho, uma embriaguez, um acesso de loucura, uma doença do foro psicológico, uma diarreia, uma gripe, uma dor de pés, ai dentes para que vos quero que só me fodeis, e tudo de mau é mundo e vida. também o bom mas esse deixa-o estar que não se escreve, vive-se que só sendo vivido ele é absolutamente. livre, são e sábio. e nós andamos às voltas, sem saber para onde vamos, peças de um jogo que alguém quis jogar, aproveitemos para ver jogar.

domingo, 26 de dezembro de 2010

demasiado tempo para morrer

simples, sensível, tocante. é assim esta música. instrumentalmente ligeira, simples e belíssima, assume nas letras o motivo dos avi buffalo: temos demasiado tempo para morrer, temos de nos ocupar com alguma coisa. é simples e pouco rebuscado, mas não deixa de ser uma filosofia de vida que responde a muitas questões.

Eternal Inception of the Spotless Mind

Recentemente um tal filme denominado de Inception tem causado burburinho. Complexo, confuso, enigmático e genial, é assim descrito, aquele que já é considerado, pelos users do imdb, o 8º (creio eu. que raio de blog em que o autor nem se dá ao trabalho de fundamentar o seu texto) melhor filme de sempre. É um filme francamente bom, mas que a meu ver, a esse nível não passa a mediocridade. Numa linha semelhante, houve também um outro filme, esse genial a meu ver, desde o conceito a toda a construção do filme: Eternal Sunshine of the Spotless Mind.

Tal como Inception este filme conta com uma construção de imagem genial. Vemos a mente da personagem interpretada por Jim Carrey (sim, Jim Carrey, o palhaço da companhia, aqui, numa brilhante interpretação maioritariamente dramática) apagar tudo o que pertence a um amor dramático com a peronagem de Kate Winslet. É, sobretudo, um filme de amor. É um filme esquizofrénico, de um homem que depois de ter assinado um contrato, luta com todas as forças que tem contra a sua mente, a fim de não perder as memórias que tem da sua outra metade.

O filme teve uma recepção muito boa, destacando-se a atribuição de um Óscar para melhor Argumento Original. Se Michel Gondry tem aqui uma bela peça de realização, a escrita de Kaufman é genial, ele que também escreveu Being John Malkovich e Inadaptado. O título teve origem no poema Eloisa to Abelard de Alexander Pope:

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd ..



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Post que fala, sem querer falar, da vida e do que ela é, utilizando diferentes conceitos que se unem de uma forma absolutamente inútil


montagem original utilizando imagens do google images, que devem ser de alguém, mas na altura não anotei e agora sei lá

Está na altura de dizer algo sério e a sério. Até vou utilizar maiúscula para atingir tal efeito. É necessário, neste preciso momento, que consiga dizer algo que me transcenda, a fim de não me perder num desses desertos de sei lá o que são, ou vidas, ou chamem-lhe o que quiserem, eu cá sei lá, que já me perdi.

A vida é... Podia cantar a música da série infantil A Vida é... Poderia escrever sobre a vida, em longos traços descritivos, com bonitas metáforas e uma alegoria capaz de fazer qualquer escritor de telenovelas aguar. Não vou dizer nada sobre a vida, que nem sei o que é, se é tudo, se é só o que é considerado parte da Biosfera, se tais e suas vivências. Por vezes descarregamos na vida que, coitada, preferia nunca ter sido criada enquanto conceito.

A transcendência, o eruditismo da linguagem é atingido, não por tão negras e escorregadias lajes orientadores de um qualquer caminho, mas pela exploração de diferentes temas, de preferência de uma forma vaga, informada e completamente aleatória. Como um homenzinho de mapa e bússola na mão, ignorando que é cego. Talvez a transcendência não se atinja, talvez seja ela que nos atinge a nós, como um trovão no meio de uma dança no Carnaval.

Eu que queria falar a sério, não disse nada, nem sequer me aproximei de o fazer. Este é dos posts mais inúteis que já escrevi, demonstrando nada mais que a falta de inspiração ou a falta de vontade de falar sobre o que quer que seja, fenómeno que não se verificava dantes, no antigamente que foi o ano passado e outros anteriores. A inutilidade é a arte de ser. A vida é inútil. E não podia ser mais transcendente

domingo, 19 de dezembro de 2010

Etan Cohen e Ethan Cohen

passou ontem na tvi o filme idiocracy. fiquei curioso com o facto de o guião escrito por etan cohen. é um filme tem alguns pontos de interesse, mas não parecia, de forma nenhuma um filme cohen. se a história de um futuro em que toda a gente era imbecil podia parecer dele (não vi mais que duas obras com a mão do cineasta), a participação de luke wilson e a utilização da imbecilidade para fazer valer humor ridículo, que por vezes funciona, mas na maior parte das vezes não, contradizem fortemente a linha do realizador.

uma curta pesquisa apresentou-me Etan Cohen, realizador de Madagascar, Tropic Thunder e filmes do género. conclusão: há que estar atento, porque há por aí muita gente. o filme não é mau, mas torna-se naturalmente aborrecido, a partes.


sábado, 18 de dezembro de 2010

a indiferença não é boa para a amizade. por isso há tão poucas amizades. núcleos individuais interagindo entre si. dificilmente as interacções se dão sem grandes doses de indiferença. para isso é necessário que o interesse entre si seja total. e eu já nem sei do que estou a falar. estou indiferente para comigo próprio

peçam-me para falar do brasil...



...e eu falo insensatez.eu falo jobim



conheço tão pouco dele. é quase pecado.

é merda

se até aqui eu achava que há algo de superior, a partir de hoje tenho a certeza. tantas coincidências, tanta coisa para criar uma realidade. é destino, é força de vontade pura, não sei... mas existe uma ordem no universo, ou na nossa mente, que não admite ser desrespeitada... é deus, é nada, não faço ideia... só sei que começou com um dejecto de um qualquer animal, que até podia não existir, só para embelezar o quadro. é merda

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

pisar merda é horrível

fíca-nos o cheiro na mente. parece que a merda está em todo o lado. somos todos feitos de merda...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quarteto 1111 - Onde Como Quando Porquê Cantamos Pessoas Vivas (unrealesed post)



pensemos em liberdade. pensemos em criatividade. agora juntemos as duas coisas e criamos aquilo que deu origem a uma das mais incríveis e complexas fatias da música de todos os tempos: o experimentalismo, as obras-ensaio, o psicadélico, alguma música clássica, jazz, etc. esta obra representa isso tudo. a maior e mais bela representação do progressivo nacional. são cerca de 30 minutos de riqueza musical. uma só música, um só álbum, com diversos universos dentro. diversas "pessoas vivas". momentos calmos, como é o inicial, momentos de revolta, momentos eufóricos... destaco os teclados, a guitarra, a bateria, o baixo, a voz. destaco José Cid que compôs esta obra enorme, que ainda não se despia para revistas nem escrevia músicas sobre macacos e bananas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Catholic Spray - The Ghost From my Grave

Catholic Spray - The Ghost From My Grave from Antoine Q on Vimeo.

é com este excelente video que os CatholIc Spray ilustram a música The Ghost from my grave, do seu primeiro álbum Fruits of the Moon, presente numa espécie de álbum-duplo que partilham com os Zyklon Beach. esta banda, que se encontra entre a flórida e paris e que se considera surf/trash/rap cristão, enche as suas músicas com guitarras barulhentas e gritos desfocados enquanto por trás o baixo faz as delícias de qualquer ouvido mais atento.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"if a body catch a body coming through the rye"



"I am a kind of paranoid in reverse. I suspect people of plotting to make me happy."
- J.D. Salinger


Recentemente "celebraram-se" os 30 anos passados sem John Lennon. Assassinado a 8 de Dezembro de 1980, em frente ao edifício Dakota, por um fã que, horas antes, havia visto o seu exemplar do primeiro álbum de Lennon num espaço de cinco anos, Double Fantasy, autografado, no mesmo sítio em que Lennon agonizaria e perderia 80% do seu sangue. Mark Chapman diz ter sido inspirado pelo livro The Catcher in the Rye ( À espera no centeio) de J.D. Salinger.

No 9

O livro de Salinger conta a história, na primeira pessoa, de Holden Caulfield. Holden vê-se expulso de Pencey, a última escola para que havia sido transferido. Decide esperar num hotel até que os pais recebam a carta a dar conta da sua expulsão. Nesta espera conhecemo-lo em pormenor, aprendemos que vê em cada pessoa falsidade estampada, ou, em vez disso, ignorância. Vemos a forma como, ainda assim, Holden convive com esses mesmos "phonies". Sentimos o desajusto de Holden no mundo. Naturalmente ele dá-se conta da sua falsidade, dos defeitos que vê nos outros, ainda assim, justifica-a. A obra não acaba sem ele reconhecer a falta que sente de todos os hipócritas que conheceu.

No 9

Do ponto de vista formal, The Catcher in the Rye é fluído, adaptado à linguagem de um jovem, através da, por exemplo, adopção do calão. De uma ponta da obra à outra parece que estamos dentro da cabeça de Holden. Compreendem-se todas as suas acções, todos os seus pensamentos, ainda que incoerentes ou desajustados.

No 9

Enquanto que para alguns críticos esta obra constitui uma crítica aos jovens, ou pelo menos um retrato da juventude que não conhece o seu lugar no mundo, par mim é mais que isso, é antes um exorcismo de Salinger, através do qual, liberta a sua opinião sobre o mundo, sobre as pessoas, o quanto são falsas, o quanto é falsa toda a estrutura da sociedade da época (sobrando para a actualidade). Interpreto isto do isolamento no qual Salinger se deixou cair depois de escrito este livro, resposta mais perfeita para o problema de Caulfield seria impossível.

No 9

É pena que Chapman não tenha interpretado este romance da mesma forma que eu. Na sua loucura, identificou-se com a obra, relendo-a até ao esgotamento da escassa sanidade. Vendo a hipocrisia espalhada na cara do seu ídolo, decidiu que o melhor era acabar com ela. Acabou com um dos maiores músicos da história, ainda que dele não se esperasse muita mais música. Acabou com um símbolo da paz que, hipocritamente ou não, ainda podia fazer muita coisa pelo mundo, e pelos seus filhos.

No 9

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"a verdade é que a saudade do que passou não é mais que muita"



foi dos Da Weasel o primeiro álbum que comprei com aquilo a que vou chamar consciência. não seria com certeza consciência comprar um álbum porque um single nos chama a atenção, mas bastou uma semana para que esse mesmo single fosse a única música do álbum Re-Definições que eu não ouvia. foi a partir deste álbum que comecei a visitar o hip-hop. foi também o responsável por, anos mais tarde, começar a ouvir rock e música alternativa, quando ouvi falar de um tal Manel Cruz, que tinha feito uma das mais perfeitas músicas que já ouvira. é por isso com alguma tristeza que vejo o seu fim.

na altura não percebi, mas esse álbum foi o auge dos Da-Weasel, não só do ponto de vista comercial, como do ponto de vista artístico. para além da enorme qualidade da maior parte das músicas e das letras (enuncio assim à pressa a Força, a Casa, o Carrossel, e vários instrumentais), existe ainda uma forte linha conceptual: a história de alguém que cai no mundo das drogas, saindo graças à filha que tivera recentemente, redefinindo-se. já na altura percebi esta linha, sem no entanto saber se é baseada na vida de um dos membros ou puramente fictícia. o conceito não é muito rebuscado, mas é explorado com mestria, apesar da cedência ao comercial na busca do single "re-tratamento".

agora "tou nem aí". nunca deles ouvi mais do que algumas músicas e este álbum, mas a importância que esta pequena selecção teve foi muita. para não falar na importância que os Da Weasel tiveram na cena nacional. no entanto, se depois de re-definições apareceu um novo álbum com uma abordagem diferente, ainda que a contar com algumas músicas essenciais (as colaborações com a orquestra checa são soberbas), depois deste os membros têm trabalho em projectos separados, que, a meu ver, têm qualidade muito duvidosa, pelo que esta notícia já era algo previsível. menos previsível seria que dos três projectos que deste derivaram, o menos conhecido seja o da face mais visível desta banda: Os Dias de Raiva de Pac, relativamente aos Teratron dos baixista e guitarrista e a Nu Soul Family que conta com a voz de Virgul.

nenhum destes grupos tem o som único dos Da Weasel, muito menos as letras por vezes magistrais cantadas por Pac, o famoso homem das rastas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

This is the end




Se entretanto fizer alguma coisa diferente eu anuncio aqui. Existe sempre a possibilidade de voltar, o que é extremamente improvável. Continuo por aí a visitar blogs, mas provavelmente vou diminuir a frequência de comentários.

Obrigado a todos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

não sei o que escrevo, porque escrevo. por vezes torno-me ridículo, mas creio que essa é a nova forma de ser original e incrível


não creio que seja de propósito mas realmente sucede. não sei que fazer. as pessoas perdem-se um bocado. é bom sinal. há espaço. e podemos sempre ocupar esse espaço. sem limitações. ou talvez com elas. mas apeteceu-me escrever aquilo. a liberdade é interessante e coiso. lá estou eu ridículo outra vez mas não é de propósito. juro pelo menos um milhão de vezes. dói-me os rins, ou a bexiga. ontem aguentei a urina muito tempo. estou a ouvir música mas devia estar a dormir. passo mais de dez minutos por dia no computador. já não sei tocar guitarra, nem tenho com quem o fazer. as paredes são todas brancas com a excepção das solitárias marcas de fita-cola, os pretensiosos riscos de lápis e os numerosos vestígios mortais, ou nem por isso, de insectos voadores, a maior parte dele com o interessante hábito de voar junto aos nossos ouvidos provocando um barulho irritante para depois pousarem na nossa pele e nos sugarem o sangue. sugar é açúcar, mas tenho quase a certeza que esses insectos não sabem isso. se soubessem arranjariam uma palavra mais adequada e original. raios parta a história. era queimar tudo e começar tudo de novo. assim tenho de ser ridículo porque me vendo à doce ambição de ser original (petulante criança sou ao julgar que tal patamar me é devido ou dado sem pelo menos deixar de ser eu). não tenho de ser original. mas gostava de ser incrível. agora estou só a ser ridículo a brincar com palavras do título para terminar mais ou menos bem, depois de uma porcaria de um texto que para além de mal escrito não diz nada. podia ambicionar algo mais, mas nem sei porque é que escrevi isto agora e, por isso, não me interessa, se bem que ambicionava que amanhã fosse um dia, já que hoje foi muito aborrecido porque muitas coisas más aconteceram entre elas sei lá e outras.

moral da história: eu sei que digo muito lixo inútil mas enfim. é o que sabe melhor.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

o julgamento é errado e eu também sou

Não gosto de julgar ninguém. Faço-o muitas vezes. Demasiadas. Tenho pena de o fazer mas é algo inevitável, que surge das mais profundas e obscuras naturezas humanas, e das mais evidentes relações humanas. Toda a gente julga toda a gente, sem pensar em se julgar a si própria. Nem sequer é por isso que não gosto de julgar, mas só por si, parece-me um motivo admissível para fazermos um esforço.

Não gosto de julgar ninguém porque não sei o que se passa ao certo dentro da cabeça dos arguidos, e o que está por trás dele. Isto aplica-se especialmente a figuras públicas, sobre as quais mais não sei que pedaços de informação mais ou menos distorcida. Há por isso muitas lacunas, muitas falhas que não permitem julgar todo o conjunto da pessoa. Podemos, isso sim, julgar as acções das pessoas isoladamente, pois essas conhecemos, por vezes (convém sempre desconfiar da informação encontrada em livros e jornais).

Marylin Monroe, que muita boa gente vê como fútil e ignorante, é um excelente exemplo das falhas que podem resultar desses julgamentos. Ao que consta, para além de escrever poesia, lia, entre outros, Beckett e Joyce (Público). O julgamento que lhe é feito por algumas pessoas baseia-se unicamente na sua vida profissional, ignorando aquilo que a diva fazia por fora.

O homem é um ser limitado, tal como o são os seus julgamentos, daí não gostar de os fazer. Pena ser tão humano e natural.

domingo, 22 de agosto de 2010

The Hitchicker's Guide to the Galaxy



Uma comédia de ficção científica que reflecte sobre o sentido da vida. Passou no outro dia na televisão. Começa com golfinhos a fugir do Planeta Terra que ia ser destruído. Confesso que o meu primeiro pensamento foi "F***-**! O flipper a esta hora?", mas quando percebi que não era bem isso, a minha curiosidade colou-me até ao final da transmissão.
É um filme diferente, talvez nunca hilariante, mas sempre bem-disposto, no seu estilo non-sense e irónico.É um filme que trás muitas respostas interessantes, acrescenta perguntas e sobretudo, revela segredos mais ou menos inesperados. Por exemplo, e se eu vos dissesse que o Homem é a terceira criatura mais inteligente da Terra? Vocês provavelmente responderiam 42. E ponto final.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A orfã

Por entre clorofórmio, sono, doenças, morte, sangue, dor, ou simplesmente atrás de uma árvore durante uma pequena sesta:

estás sozinha no mundo criança

não tenho o meu papá a minha mamã os meus irmãos

morreram todos num acidente

não morreram não foram para o céu que eu sei

estás sozinha no mundo criança

e não tu é que estás

pois estou sempre estive tal como tu

mas eu tenho amigos

e eles estão lá para ti

claro que estão sempre

ou será que estão lá para eles

cala-te parvo não gosto mais de ti és mau feio sujo gordo burro e mais mau ainda

Mas de facto, a criança estava sozinha.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Progressivo Não-Britânico

Os anos 70 não são tão populares como os vizinhos 80, nem tão quentes como os 60. No entanto, foram o local de infância do rock progressivo, que nasceu no final dos anos 60.
Quando falamos de rock progressivo vêm-nos à cabeça nomes como Pink Floyd ou King Crimson, nomes britânicos. Bem menos popular é a música feita fora deste universo anglosaxónico. Em Portugal a obra "Onde Como Quando Porquê Cantamos Pessoas Vivas" do Quarteto 1111, da qual pretendo falar um dia, passou quase despercebida. O que não significa que este estilo de música só tenha distinção quando praticado pelos britânicos e americanos. Este estilo tende a raspar nas influências dos músicos que o praticam o que traz sonoridades interessantes e estranhas ao progressivo fora do mundo inglês.

Trago aqui duas sugestões: o rock progressivo dos portugueses Petrus Castrus (formados em 71) e o folk/rock progressivo dos suecos Kebnekajse (primeiro album em 71)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

não te enerves, não te canses. provavelmente vais ter de fazer tudo sozinho e ninguém está para te acalmar

são quase 3 da tarde mas para mim é como se fossem 3 da manhã

Não feches os olhos. Aguenta mais um pouco. Sei que tens sono, mas de que vale o sono? Seres transportado para um outro universo, que nem sequer é real? Achas que é? Pois bem, mas estás errado! O mundo dos sonhos não é mais do que uma ilusão para te afastar da vida. Já aqui, nesta embriaguez de realidade, na crueza desta noite cerrada, consegues ver tudo claramente, tudo realidade que se monta à tua vontade. Porque é a tua vontade que manda e impera, como deusa ardente no topo do seu altar de rosas e cravos. E tudo é ela, tudo ela a mandar. Mas sempre realidade. Como? Os sonhos derivam de percepções da realidade? Julgas-te inteligente para me contradizer? Traz-te paz dizes tu? Mas que paz é essa? Uma paz total? O sonho é uma droga que te retira o poder, todo o teu poder, gostas de ver a tua vontade transformada numa camponesa de braços sujos? Aqui não, porque a embriaguez da vida e do sono não se pode considerar uma droga, mas um estimulante que te torna no que muito bem entenderes. Ainda assim queres a paz do sono? Juro que não te entendo! Queres tanto dormir, pois dorme então, ou tens medo de acordar e de perder toda a paz que em parte já tens?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Redundância

Somos sempre os mesmos, por mais que sejamos pessoas diferentes. Conservamos a memória, a linha de identidade que nos faz responsáveis pelo passado, responsáveis pelo futuro e presente, e merecedores de todos os louros em caso de resultados positivos. Somos sempre culpados, porque tudo muda à nossa volta mas nós não. É curioso como sem ninguém deixar de ser quem é tudo muda.

Por isso recaímos tantas vezes nas mesmas falhas, nos mesmos erros. Somos sempre nós, de uma forma por vezes irritante. Sádica forma de dizer "à quanto tempo!" depararmo-nos com algo que já fomos, e que apesar de numa forma não activa, ainda somos. Eu arriscaria dizer que somos redundantes. Buscamos sempre a mesma coisa, ainda que por caminhos diferentes em diferentes épocas.

Não me vou perder a discorrer em linhas o deprimente e aborrecido que é ter o nós, o futuro, passado e presente, às costas. Vou gastar apenas uma frase: não é triste ter de escolher por um nós, em detrimento de um outro, que no fundo busca a mesma coisa?

domingo, 15 de agosto de 2010

O desespero vai e vem, nós ficamos. Estava na esplanada quando ele passou. Acenei-lhe e vi-o seguir. O passo dele era acelerado, nem sei para onde ia. Vi-o voltar. Vinha calmo, demorava a sair. Parecia não querer deixar-nos. Disse-lhe adeus, mas sei que vai voltar. Quer seja para um olá privado, ou com pompa, numa festa nacional. Adeus desespero!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A ouvir #55

Antes de fazer alguma coisa, estava deprimido com a minha inacção. Agora estou deprimido com a vida. Irónico. Talvez não...

domingo, 8 de agosto de 2010

Subconsciente- o rebelde

Agonia-me a vida. Agonia-me a sua incerteza. Isto quando não me aborrece claro está. Prefiro a agonia ao terrível vazio do tédio, que faz apodrecer em vez de envelhecer. Não sei se hoje tédio ou agonia, mas sei com certeza que muito desagradável. Ah, que nefasta vontade de me fazer ao céu por essas janelas que não dão para lado nenhum...

O subconsciente enche-nos de sonhos, fixações, objectivos razoáveis mas longínquos, enquanto o ser razoável perde as suas horas a desfazê-los, para uma menor distância da paz. Quantas vezes me vi a acordar com sentimentos que já não tinha na noite anterior. Mais, quantas vezes me vi acordar com sentimentos que há muito não alimento e que ainda na noite anterior decidira desfazer da razão, por perceber que não existiam já. O subconsciente não aceita ordens, o subconsciente não aceita a razão, o subconsciente quer o céu e busca-o, por mais que precise de se revoltar contra todo o ser, contra a sua sanidade, e contra aquilo que parece ser a vontade do todo. O subconsciente é a minoria que nunca pare de lutar pelos seus direitos.

Não é, por isso, estranho que nos apareçam coisas na cabeça que nos não pertencem: essa é a típica estratégia terrorista desse rebelde que por vezes nos enche, por vezes se esconde, mas nunca desaparece. O ser racional esse quer a normalidade, quer a razão e combate contra todos os resquícios de alma e de insubmissão que pendam de nós. É a guerra da mente e da alma. Uma guerra amigável que nos faz seres incoerentes, mas acima de tudo, que nos faz ser.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

irritação

Essa inacção que te prende irrita-me.
Cheira-me a opressão disfarçada, ironia, palhaçada.
Aposto que não chegas lá, nem tentas. Tão fácil, tão perto, e no entanto, ignoras a distância, fechas os olhos e lá longe não chegas.
Irritas-me! Tu e essa tua estupidez enchem-me de horror, nojo e estupefacção. Como é possível essa tua inacção?
Essa vontade de fazer, de mudar e, no entanto, paras, estagnas, faleces como tudo o que não mexe.
Irritas-me tu... Irritas-me profundamente, sentado nesse sofá cor-de-pouca-acção, onde tudo parece igual.
Tudo é igual, e onde estás tu para fazeres as coisas diferentes?
Irritas-me tu... E eu irrito-te a ti...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Parece-me que flutuo. Não estou em mim, que é como quem diz não sou. Horas de sono poucas, alma muita, falta de ser. Parece-me que irei não mais perder.

domingo, 1 de agosto de 2010

Não dei conta de que podia acabar... Sabia que o tempo passava, e que cada vez menos havia, mas ingénuo, ignorava que a eternidade não existiria para sempre... Continuo sem ter consciência do fim, mas o derradeiro, é belo e sem dor. Os vários fins que se espalham pelos espaços da vida é que a deprimem.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Deserto

Está calor, mas que se há-de fazer? Como uma crise ou qualquer outra maleita que assola de um momento para o outro toda uma região ou país, esta fogo que não cai do céu, desce antes levemente, correndo através de fenómenos de convecção, ataca-nos por golpes de condução, deixando-nos KO, desgastados, ou simplesmente nós próprios. Podemos fugir e podemos esconder-nos, mas esse fogo é tão forte que chega a todo o lado.

Há, no entanto, quem goste do quentinho, e, como quem agradece a Deus uma chuva divina, peregrinam até ao altar de bronze da actualidade. Tostadinhos e tostadinhas dos dois lados, e todo o mundo é feliz. E beleza por todo o lado, como nesta televisão desligada que em vez de lixo transmite o vazio. Tudo é perfeito quando não há nada. E não há nada para além das esplanadas, das peregrinações, das ondas de pessoas. E como cobras saem do seu refúgio à noite para regularem a temperatura e todo o mundo num cântico só agradece ao mundo estabelecido.

É neste período de calor intenso, equilíbrios térmicos mal posicionados e águas sujas de areia, óleos e outros lixos, que as formigas param, deixam de trabalhar, enquanto outras formigas, no solo e à superfície, trabalham. Este deserto de formigas que somos irrita-me por vezes, mas funciona de uma forma aparentemente tão perfeita que ignoro quem sou, e, como tal, ignoro se é a verdade o que eu digo, ou se apenas palavras que me saem da boca, como aviões que saem dos aeroportos rumo a paraísos vários. Álcool, música, barulhos naturais, tudo isso misturado num cocktail preparado para a catarse do ano inteiro. Isto é viver: acumular desconfortos, para, num momento de maior liberdade soltar, num guincho de alívio e prazer, tudo aquilo que somos, mas sem querer, reprimimos.

Compreendo perfeitamente que não disse nada. Mas é o que me é possível dizer neste deserto de ideias.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A ouvir #52

Porque é que Passos Coelho é melhor que Sócrates?



Compreendo que não se vejam diferenças entre eles. Mas elas existem e não vale a pena ignorá-las.

Desde que me recordo, o PS critica a direita por defender as privatizações. O PS e a restante esquerda criticam, particularmente o PSD, como aliás está a suceder agora, em relação à revisão constitucional. Não vou falar da restante esquerda, que eu acredito fingir fechar os olhos, mas a hipocrisia de José Sócrates que ora entrega hospitais a privados, condenando-os à política do lucro fácil, ora critica alterações na Constituição, que afinal de contas já existem, caso contrário expliquem-me as taxas moderadoras e o aumento do preço dos livros. Isto não é ser tendencialmente gratuito.

Quanto às privatizações recordo-me que a grande massa delas foram feitas pelo PS, sempre pelo PS. Assim como as parcerias público-privadas, que são desastrosas políticas.

Expliquem-me então, qual é o crime de Passos Coelho em querer algo, que afinal de contas, o governo de Sócrates e o de Guterres já implementaram anteriormente? Não o defendo, mas pelo menos tem a dignidade de dizer exactamente o que quer, em vez de se fazer de esquerda, quando se torna claro que é de direita, ou algo ainda pior, algo de desastroso.

Passos Coelho é melhor que Sócrates porque quem vota nele está à espera da postura que ele apresenta. Já quem vota em Sócrates pensa que está a comprar cavalo, mas leva pior que burro.

domingo, 25 de julho de 2010

MIinnemann Blues Band live@ Feira do Livro de Arcos de Valdevez



Distinções devem ser feitas entre as feiras do livro em vilas e em cidades. Nós por cá temos muita coisa. Mas no que toca a feiras do livro, o interesse limita-se a "4 ou 5" livros e 1 ou 2 raridades. Não é no entanto sobre isso que vou falar. Vou apenas alongar-me sobre uma das bandas que participou nesta iniciativa.

Wolfram Minnemann é, ao que parece, o mentor desta banda. Uma banda matura em idade e aparentemente em experiência. O estilo que praticam não está na minha área de especialidade, até porque não tenho uma, mas se tivesse, não seriam com certeza os Blues. Como tal não tenho termos de comparação.

De qualquer das formas, é de salientar, para além da enorme presença em palco, apesar de este ser quase minúsculo, a grande voz e teclados claro de Minnemann, à primeira audição próxima da voz de Louis Armstrong, o magnífico saxofone de Rui Azul, a magnífica guitarra de Mãos de Ferro, a potente bateria de Rui Cenoura, e o baixo discreto, mas não menos espectacular, de Manuzé, sempre acompanhados com uma enorme dose de boa disposição e de um bem doseado sentido de humor.

Nestas condições não poderia acontecer outra coisa que não a elevada adesão do público, praticamente inexistente noutros dias. Minnemann Blues Band (tem ligação), uma banda a ter em conta. Pelo menos, e principalmente, para quem não tem outras referências dentro deste universo.

Lançaram álbum há pouco tempo e estarão nos próximos tempos no Porto, em Faro, Caminho, Moledo e Matosinhos.

leituras 4 - O Senhor Ventura - Miguel Torga



Para além de prodigioso poeta e de grande homem Miguel Torga também é um incrível romancista. Apesar de poucas obras, romances, os que escreveu, valem o suficiente para o provar.

O Senhor Ventura é uma obra sobre um homem que desde sempre fora insubmisso, desrespeitador da lei e tivera uma sede enorme por liberdade. Características que o levaram a ser enviado para Macau, visto não respeitar quaisquer horários na tropa. Este ex-pastor faz vida no oriente onde anda constantemente em busca de algo, que nunca chega a encontrar, envolvendo-se em muitas ilegalidades, participando em muitos crimes. Regressa um dia a Portugal, onde ironicamente ganha a paz (nunca manifestara ou sentira vontade de regressar) que nunca teve, mas não para sempre. A obra não acaba aqui, mas tentei-me reduzir ao mais elementar, apesar de ser um romance que não chega às 100 páginas.

Um romance curto, mas carregado de emoções. E bem ao estilo de Torga, carregado de Portugal, mesmo quando a acção está bem longe.

"Não me resigno à ideia de ter vindo à luz neste tempo e numa terra durante séculos inquieta de descobrir e saber, e depois tragicamente adormecida para tudo o que não seja olhar-se e resignar-se. Parece-me um castigo imerecido do destino e da história."

"Eles eram, na sua letra rude e na sua sinceridade rude, uma imagem viva da terra rude que os viu nascer."

"Contra todo o bom senso, era novamente o perigo e a liberdade que lhe apeteciam. Eram ondas desmedidas e pesadas, e terras sem sossego e sem carinho que o seu corpo desejava enfrentar."

"Os conselhos da amiga chinesa só prestavam para quem tivesse nascido no Celeste Império. Para gente da Ibéria, a calma, a prudência, e tudo quanto defende um homem das fervuras do sangue, eram palavras vãs."

sábado, 24 de julho de 2010

Segurança

Tenho pena de pensar assim. Por vezes apenas. Nem sei bem como penso, mas tenho dúvidas em relação a tudo. Por vezes questiono-me, serei eu inseguro? Pouco corajoso? Incapaz? Não, simplesmente incapaz de me dar a passos maiores que as pernas, nem tão pouco a passos maiores que os pés. Creio que estou simplesmente demasiado seguro para mudar o que quer que seja...

Mais vale ficarmos calados

quando não temos nada para dizer.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

leituras 3 - o velho que lia romances de amor - Luis Sepúlveda



Sou um confesso admirador da literatura sul americana. Aprecio um não sei quê de transparência, simplicidade e clareza. Se calhar estou só a generalizar, mas em todos os livros que li desta rota, têm em si algo de único.

Mais do que um livro sobre romances de amor é uma obra de amor à floresta, mais concretamente à floresta tropical, a Amazónia, esse paraíso que está cada vez mais em vias de extinção.

"Quando havia uma passagem que lhe agradava especialmente, repetia-a muitas vezes, todas as que achasse necessárias para descobrir como a linguagem humana também podia ser bela."

"Antonio José Bolívar ocupava-se de as manter à distância, enquanto os colonos devastavam a floresta construindo a obra-prima do homem civilizado: o deserto."

"... e dos seus romances, que falavam do amor com palavras tão bonitas que às vezes lhe faziam esquecer a barbárie humana."

terça-feira, 20 de julho de 2010

leituras 2 - Contos Poe.liciais



Edgar Allan Poe é um dos escritores mais célebres da língua inglesa. Poeta que viveu no século XIX e morreu com 40 anos, ficou notório pelos seus poemas e contos, e também por ter inventado (assim se crê) o género policial.

Antes de Poirot ou Sherlock Holmes, já Dupin investigava e resolvia quebra-cabeças com distinção. Não de uma forma tão detalhada e narrada, num estilo mais preocupado com a explicação do raciocínio Poe lança as primeiras cartas, que marcarão a história da literatura.

É de realçar o conto O Mistério de Marie Rogêt que Poe escreveu a partir de uma história real. Este serviu-se unicamente dos jornais para escrever. O mais é incrível é o facto de que tempo depois de este escrever o conto, duas pessoas, uma das quais com correspondência na obra, envolvidas no caso confirmaram a conclusão geral e até mesmo os seus principais detalhes hipotéticos.

Os Crimes da Rua Morgue
"Sinto-me contente por o ter batido no seu próprio terreno. Não obstante, que não tenha podido deslindar este mistério, nada tem que cause espanto, e é mesmo menos singular do que ele julga, porque, na verdade, o nosso amigo perfeito é um pouco demasiado fino para ser profundo."

A Carta Roubada
"Contesto especialmente o raciocínio extraído do estudo das matemáticas. As matemáticas são a ciência das formas e das quantidades; o raciocínio não passa da simples lógica aplicada à forma e à quantidade. O grande erro consiste em supor que as verdades a que se chama puramente algébricas são verdades abstractas ou gerais.

O Mistério de Marie Rogêt
"A massa do povo considera como profundo só aquele que emite contradições picantes da ideia geral. Tanto em lógica como literatura, é o epigrama o género mais universal e imediatamente apreciado. Em ambos os casos é o género de mérito mais baixo."

quarta-feira, 14 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

Brevemente (Provavelmente)



A minha relação com este blog alterou-se ao longo do tempo. Mudou de tal forma que é possível (para não dizer desejado) que este desapareça, dando origem a algo novo, algo mais próximo do que eu preciso neste momento. Isto são tudo suposições, ou melhor, planos com muitas dúvidas, que podem, ou não avançar...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

arrisco-me a dizer que foi de propósito


montagem manhosa

arrisco-me a dizer que foi de propósito
só dessa forma tudo encaixaria
resplandeceria

flores
música
luz
e algures musa

nu escuro,
tudo parece passo fora de sítio,
tudo parece mudança de planos
fim de dia luzidio

claros acessos de sombra
minutos de solidão
chave da clausura
do recato da multidão

parece que sonho
pedaço de alucinação
sei que não fui eu
que olhei para a minha mão

(breve epifania,
demorada observação
eterna obsessão)

arrisco-me a dizer que foi de propósito

terça-feira, 6 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

boas intenções


Untitled, Robert Williams

Peço desculpa se é forçado, banal ou ridículo. Por vezes a existência é assim. Sucede. Por outras, acontece. Talvez o Arestídes Sousa Mendes quisesse tornar-se um herói, talvez isso tenha sucedido naturalmente. Independentemente disso, ele tornou-se um herói, e mereceu-o. Boas intenções há muitas, e valem o que valem, mas o que realmente importa são as acções.

Eu sou um tipo de boas intenções que acaba por não fazer nada, ou fazer porcaria. Sou eu, e muita gente. Esse tipo de gente, ou gentalha, é absolutamente dispensável para a Humanidade, absolutamente inútil. Na Terra de que valem as suas acções, se estas não existem? É por isso irrelevante a existência de tais seres. Sou irrelevante, um mero pedaço de pó, que por entre o nada, pouco mais será que um ácaro, por muito mais que aspire a alcançar.

Gosto de pensar que as boas intenções valem sobretudo para os seres inúteis se desculparem. Eu desculpo-me com elas muitas vezes, e sempre com boa intenção: a de acalmar meu espírito, para finalmente poder fazer alguma coisa... Não creio que valho uma chaveta, mas acho que sou, mais ou menos, não poderei especificar, boa pessoa.

de Rudinei Borges, daqui

Uma pessoa não precisa de fazer nada de especial, nem tão pouco precisa de uma vida segura, roupa lavada, saúde, comida em cima da mesa. Pouco mais que um ponto no chão onde assentar, um pedaço de espaço para ser. Tudo o resto é o essencial, e por isso importa tão pouco.

É incrível o que uma pessoa pode fazer, o quanto pode surpreender o meio que a envolve, e a si própria. É incrível como isso acontece tão poucas vezes, como tudo costuma acontecer tal como está previsto, ou melhor, dentro de hipóteses aceitáveis à partida.

domingo, 4 de julho de 2010

A ouvir #48

Olhar para trás com intensidade pode causar graves danos ao pescoço


algures aqui

Não sei se és tu. Mas penso em ti. Mais nada faz sentido. Tu e vazio. Tudo e Nada. Não sei onde estás, onde foste, em que pensas. Eu penso em ser o que nunca fui. E sigo sendo, o mesmo de sempre, aquele que tenta não ser, ou que tenta ser outra pessoa qualquer. Não posso ser tu, não suporto ser eu, tudo o mais são erros da existência, pequenos desvios do cálculo superior do acaso.

- ...

Não me lembro se falaste ou se esquizofrenia. Talvez sopa e uma sande de atum. Cabeça no ombro cansada. Não te abracei não aconteceu. É muito mais real o nada, o casual do não acontecimento, que o factual. Lembro-me que sim porquê? não talvez

Tanto tempo passou. Não sei quem sou, não sei se ainda sabes quem eu sou (sabes, sei que sim, mas talvez de uma forma passiva, muito pouco), como posso eu saber se és tu?

Estranho discurso na segunda pessoa, que não te busca a ti, mas a mim próprio.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

integral

Há coisas que não fazemos de propósito. Acontecem, e deixam-se acontecer. Gostava de acontecer um dia... Algures no final da minha juventude. Gostava de muita coisa, por vezes acredito que sim. Gostava de me saber integrar, gostava de ser uma pessoa íntegra, gosto de cereais integrais. Mas isso não está ao acesso de qualquer pessoa (os cereais integrais talvez estejam).

Ser é coisa difícil, coisa complicada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

leituras



"Não sabia que a liberdade não é uma recompensa, nem uma condecoração que se festeje com champanhe. Nem, aliás um presente, uma caixa de bombons para lamber os beiços. Oh!, não, é uma estopada, pelo contrário, e uma corrida de fundo, bem solitária, bem extenuante. Nada de champanhe, nada de amigos que ergam a sua taça, olhando-nos com ternura. Sozinhos numa sala sombria, sozinhos no banco dos réus, perante os juízes,e sozinhos a decidir e perante nós mesmos ou perante o juízo dos outros. Ao cabo de toda a liberdade, há uma sentença; eis porque a liberdade é pesada de mais, sobretudo quando se sofre de febre, ou nos sentimos mal, ou não amamos ninguém."
Albert Camus em A Queda

Costumes


foto daqui

Uma pessoa acostuma-se. Acostuma-se a tudo. Acostuma-se à vida, às rotinas, às pessoas. Acostuma-se de tal forma, que todos os "costumes" a que estamos acostumados se parecem repetir em qualquer sítio que estejamos. A vida é feita de padrões. Talvez não, mas os acostumados ser a coisas semelhantes acham que sim.

Não sei de que vale construir uma rotina. É um vício evitável, que apesar do desejável aproveitamento dos tempos mortos, nos rouba tempo, passando este mais depressa. Afinal de contas, não precisamos de tanto tempo para compreendermos e recebermos as coisas novas. São tudo padrões. Tudo costumes.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eu tenho medo do Big Brother... É mais fácil do que parece...

Quanto aos critérios de pagamento nas Scuts, o Minho é uma das regiões mais pobres do país, e não existe qualquer outra opção para ir de cá até ao Porto sem ser pelo troço em questão. Existem estradas nacionais, mas com má qualidade, velhas e longas. Não constitui alternativa.

É por estas e por outras que me rio quando ouço um certo senhor a falar de aproveitamento político e de optimismo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010




“Somos demasiado medrosos, demasiado cobardes para nos aventurarmos a um acto desses (…) estamos demasiado presos na rede das chamadas conveniências sociais, na teia de aranha do próprio e do impróprio (…)”

in Caverna


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Esta merda é pessoal



Isto de viver é aborrecido. Ou nem por isso. É mais sacanagem, brincadeira que não cabe a todos. Digo eu. Não diz ninguém. Silêncio filho da mãe. Não sei que tenho contra o silêncio ou contra o que não sucede (talvez não tenha nada), mas neste momento apetece-me acontecer, sei lá, talvez sem querer. Ninguém diz nada, e continuamos perdidos, escondidos, assustados.

Gosto das coisas que acontecem sem querer. Todos esses planos, esses génios filhos do trabalho são um fiasco, uma mera aproximação do homem ao superior. Gosto de fluência, do acaso e do genial. Assim como gosto da miserabilidade que o assombra. Por vezes também gostava de ser um assombrado, um desses poucos, miseráveis maiores. É pura brincadeira, pura sacanagem. Aquilo custa, e não sou homem de custos, sou poupadinho, nos esforços e pagamentos. É cair por acaso, e por acaso cair no céu. Cair eternamente no vazio, no que não nos pertence. Porque nada pertence aos miseráveis: são superiores a tudo, nada prende o suficiente. Eu prefiro ter chão debaixo dos pés.

Pessoalmente as pessoas pensam. Pessoalmente as pessoas são. Pessoalmente as pessoas pessoam, e fazem por pessoar. Não sei se jamais pessoei acompanhado... E também não sei se já pessoei sozinho, enfim... Há pessoas que têm um terrível problema em serem elas próprias. Talvez porque não sejam. Talvez sejam demasiada coisa. Ou simplesmente estejam demasiado ocupadas para serem elas próprias.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A democracia e o fascismo - breve referência



Quando se utiliza como argumento " é ofensivo e incorrecto atacar-se o Governo porque foi democraticamente eleito", cai-se numa falácia gigante, que supõe que a democracia é um regime perfeito... Não o é... Já não falo da enorme demagogia nesse acto, porque sempre os governos foram atacados, só este é que parece sair do Paraíso...

O facto é que mesmo que tenha sido democraticamente eleito, o governo está susceptível a apupos, e ainda bem que está. A quem acha que ir contra a democracia é um acto de fascismo, eu relembro que o fascismo é a imposição de uma maioria, não necessariamente em número de pessoas, face a uma minoria. A Alemanha Nazi aniquilou, ou melhor tentou aniquilar, os judeus porque a maioria do poder alemão assim o quis, por isso não me venham com histórias de que temos de respeitar as decisões da maioria... É uma comparação parva, mas é a equivalente a uma que li.

Li algures que o BE (note-se que não estou a defender o partido, mas sim a atitude, que subscrevo) é fascista porque organizou uma manifestação contra o governo, no 10 de Junho, visto ir contra a vontade do povo. Fascismo é atribuir a um povo inteiro a vontade de uma maioria. Maioria essa com certeza com alguns ignorantes destes. É nestas alturas que percebo a podridão do país e do mundo: manifestar uma opinião, manifestar um protesto. Percebe-se depois que este Governo colida com a liberdade de expressão (não falo do caso Face Oculta): é o "povo" que temos.

A ouvir #45

sábado, 12 de junho de 2010

Ausente



Tenho estado ausente. Ausente de mim. É incrível como tudo fica incrivelmente bem feito quando estou ausente. As coisas correm bem, como se fugissem da realidade presa nos sentidos. Não, não faleço com a realidade, mas decerto fico preso em coisas que não pertencem, nem me deixam pertencer. Então, o que me custa, porque não fico um pouco mais tempo ausente?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

...

chega a ser perverso, depois de uma noite de trabalho árduo na construção de um novo design para o blog, aparecer, no dia seguinte, uma nova funcionalidade que torna tudo isso trabalho de criança...

A ouvir #44 (especial 1º Aniversário)

terça-feira, 8 de junho de 2010

O sentido da vida: trabalho para filosofia


quadro de René Mgritte, Homesickness

Curiosa realidade a existência. Inexplicável talvez. Por vezes imagino um mundo lógico, e nele apenas uma coisa é patente: o nada. Tudo o que não seja nada é algo complexo e muito pouco lógico, que provavelmente não deveria existir (só o nada pode existir: curiosa e fortuita negação). Curiosa a condição humana, que, por estar condenada a um início e um final, estranha o eterno e o etéreo, não o concebendo de outra forma que não a do nada.

O sentido da vida é bastante claro: a morte. Se a tomarmos por uma estrada e compreendermos que começa no nascimento e termina na morte, vemo-lo claramente. O que há antes e depois da vida? Acredito seriamente que é a inexistência. Acredito seriamente que o sentido da vida é a inexistência. A vida tem como finalidade a inexistência.

Maldita sorte que nos põe no rumo de algo que não desejamos. Nem sempre queremos existir, mas tememos com todas as forças que temos a inexistência. Por isso surgiram os Deuses e as religiões, os livros e a arte: para ouvirmos uma não verdade (que não é necessariamente mentira) e para nos fecharmos num admirável novo mundo. E ainda bem que surgiram.

Tudo depende da perspectiva através da qual vemos o que quer que seja. Eu acho que o facto de o sentido da vida ser a inexistência é extremamente libertador. Como poderemos nós falhar? É impossível em teoria (não digo que o seja na prática porque não é possível provar tal coisa) um ser humano não chegar à inexistência. Isto significa muito simplesmente que ao nascermos já garantimos o objectivo da nossa existência. Que é que isto significa? Liberdade! Podemos ser o que quisermos, não temos de fazer absolutamente nada. Tudo o que temos de fazer é morrer um dia, e isso está-nos à partida garantido! Temos essa liberdade, e a liberdade acaba por ser o nosso sentido de vida: temos de ser livres, o quanto quisermos!

O nosso destino está traçado, mas não o itinerário… E eu vejo nisso a maior bênção de todas: sabemos como é o final, mas o resto está inteiramente por nossa responsabilidade. Temos limitações físicas e psicológicas? Temos, mas temos também imensos espaços vazios em nós que podemos preencher, ou deixar vazios, como muito bem entendermos. Gosto também de pensar na inexistência como a liberdade total, gosto de pensar que a inexistência, pouco mais é que uma existência sem limites, mais etérea, mais perfeita, e que por isso, quando morrermos vamos entrar numa outra dimensão, quando nos desprendermos do corpo, da alma, da mente, de tudo: a dimensão do nada, a dimensão do lógico.

Não tenho medo da inexistência, é ela que nos dá um motivo para existir: sermos livres (temos de estar preparados para quando passarmos a existir sob a forma de nada) para explorarmos todos os mundos possíveis, impossíveis, lógicos ou absurdos. A inexistência que um dia teremos (ou seremos?), dá-nos um motivo para sermos humanos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Actor das causas diárias


fonte

Eu, enquanto ser humano, devo dizer que sou susceptível à sociedade à minha volta. Não me deixo influenciar directamente, mas tenho tendência em representar o que sou. Forçar movimentos, forçar discursos, etc. Enquanto isto me sucede, vou-me apercebendo de que me vou tornando nessas representações, nessas personagens que crio e fecho num tempo determinado. Busco a naturalidade em tudo o que faço. Busco a liberdade. É isso que tento fazer sempre que faço, o que quer que seja. É nesta minha busca que me perco por entre quem sou, quem quero ser e quem quero mostrar ser.

Sou o quê afinal? Responde-me só a isso... Sou quem sou? Quem quero ser? Ou o que mostro ser? Talvez a ponte de tédio que vai de mim para o outro ... Perco-me por entre os mares da representação, da essência e do sonho. Será assim tão difícil ser natural? Serei natural quando tento mostrar algo que não sou, mas que afinal talvez seja? Pão com chouriço e talvez seja, porque toda a gente assim. Eu, tu e o outro, por trás daquela fotografia, olhando o avô que chorava. Ninguém percebeu, mas naquele momento ele foi natural, e quis mostrar que o era. Actor das causas diárias, representação esquemática de um homem perdido na Terra.

sábado, 29 de maio de 2010

A imprensa e o apodrecimento moral

"E a sua indignação alargava-se, do foliculário que babara aquilo - até à sociedade que, na sua decomposição, produzira o foliculário. Decerto toda a cidade sofria da sua vérmina... Mas só Lisboa, só a horrível Lisboa, com o seu apodrecimento moral, o seu rebaixamento social, a perda de bom senso, o desvio profundo do bom gosto, a sua pulhice e o seu calão, podia produzir uma «Corneta do Diabo»

Eça de Queiroz, in Os Maias

quarta-feira, 19 de maio de 2010

com certeza que sim


Daniel Rozin's Weave Mirror

Tenho pena que assim seja. Pois, mas terá de ser. Compreendo perfeitamente, mas não pode esperar que esteja satisfeito. E não está? Não, de maneira nenhuma... E de forma? Forma talvez, mas não hoje com certeza... Ontem quer ver? Como adivinhou? Talvez, por vezes, ontem ocorre-me de passear. Por onde? Qualquer sítio serve... Qualquer sítio? Qualquer sítio é agradável.... Pensa assim? Assim penso. Compreendo perfeitamente, mas não pode esperar que esteja satisfeito. E não está? Claro que estou... Mas não disse?!... De que interessa o que eu digo? Não é um bicho falante? Mais ou menos... Nem sempre? Nem sempre... E quando não o é o que é? Um peixe... Compreendo perfeitamente, mas não pode esperar que esteja satisfeito. E que é que você tem a ver com a minha vida? Absolutamente nada, nem quero saber... Então porque fica insatisfeito? Não fico, mas também não fico satisfeito... Não mexe consigo? De maneira nenhuma. Compreendo perfeitamente, mas não pode esperar que esteja satisfeito. Eu se estivesse no seu lugar estaria, sem preocupações, sem obrigações, tem todo o mundo à sua frente. Pois, talvez tenha razão, mas quem lhe diz que não tenho preocupações, ou obrigações. Se as tem faleça com elas...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Calma



É complicado no meio da tempestade arranjarmos um momento de calma. Quando o arranjamos desperdiçamo-lo com nada. E é para isso mesmo que servem os momentos de calma: para fazer nada, para pensar nada, porque o nada é nos incrivelmente indispensável, e vem sempre ter connosco, quer seja no meio da tempestade quer seja nos momentos de calma... Por isso, que seja nos momentos de calma. Como este. OH, como está calmo o céu! Quão belo! Também está calmo de mais... começo a me aborrecer!

domingo, 16 de maio de 2010

The Imaginarium of Doctor Parnassus



Um bom filme. Muito confuso, saímos sem perceber se apanhamos tudo ou não. Talvez por isso mesmo, seja um grande filme. Talvez, neste não me arrisco a dizer que é grande filme, não sei o que pensar...

A ouvir #40

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Why is there hunger?


Lack of food is not the problem. Enough food is produced in the world today for everyone to be properly nourished and lead a healthy and productive life. Hunger exists because of poverty. It exists because natural disasters, like earthquakes, floods and droughts, sometimes occur in places where poor people have little or no means to rebuild once the damage is done. It exists because in many countries women, although they do much of the farming, do not have as much access as men to training, credit or land. Hunger exists because of conflict, which takes away any chance people have to earn a decent living and feed their families. It exists because poor people don’t have access to land or solid agricultural infrastructure to produce viable crops or keep livestock, or to steady work that would otherwise allow them access to food. It exists because people sometimes use natural resources in ways that are not sustainable. It exists because there is not enough investment in the rural sector in many countries to support agricultural development. Hunger exists because financial and economic crises affect the poor most of all by reducing or eliminating the sources of income they depend on to survive.

http://www.1billionhungry.org/

corre

corre, corre... não sabes para onde? corre sem direcção... como no Forest Gump, que eu já vi, mas só lembro o "Run" e a corrida...então corre como ele, sem direcção, sem caminho, sem traço no chão... cuidado ao correr, podes flutuar e voar, por vezes acontece a quem corre demasiado... não corras tanto, podes-te magoar. mas porquê correr, senão para atingir o céu, para ultrapassar a única barreira que homem nenhum vivo ultrapassa sozinho... e eu tenciono ultrapassá-lo... já embalei lá de trás, mal será se não o fizer. no topo da casa mora uma criança doente. bato à janela aceno-lhe, e digo adeus... e ela corre atrás de mim. e todo o mundo correrá atrás de mim. só por um momento. muito breve, enquanto quem toma café se esquece das mesas, cadeiras, do café, e vem atrás. enquanto homens e mulheres esquecem quem são e deixam de escravizar, mental, física e socialmente, bichos e bichas, e todo o mundo corre atrás de mim. cães, gatos, lebres, o borrego do almoço, que viveu preso numa grade de pau, e depois, ainda criança foi morto. e o homem é justo, e o homem é bom, e o homem é superior aos animais, e eu utópico, e eu bom, porque eu não desses... mas não, não consigo suprimir-me, a mim, ao eu carnívoro maléfico filho da mãe, de forma que o borrego atrás de mim também, mas já assado, com batatinhas a acompanhar. é curioso como na cabeça cabe tanta coisa, mas não é curioso coisa nenhuma, porque foi Deus. Deus grande, e conhece o Papa... importante seja quem conhece o Papa, que come criancinhas, ou será que só protege quem as comeu, mas será que só perdão, ou incentivo? pecado, ou perdão? qual será. eu falo com Deus, ele envergonhado com padres e homens comuns, que esqueceram quem ele era... e homens de costas voltadas, e homens que escravizam... esses homens que agora correm atrás de mim, com o borrego, as batatinhas, e o Forrest e os padres, e Deus, e tudo que me cabe na cabeça... corremos todos, de alma dada em direcção ao sonho, à utopia, à paz... já é tarde, se calhar chegamos atrasados.

domingo, 9 de maio de 2010

A ouvir #39



ando ocupado, lá para a próxima semana já devo ter mais tempo...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A ouvir #38

13

nunca fui supersticioso, mas então gato preto, e mais um, e mais um. números que se repetem, parece que dizem
-olá...
e eu assustado viro as costas. não me interessam superstições vulgares, 13 azar, 13 não azar, número bonito que lhe brilha nas costas com brilho (passe-se o pleonasmo), e antes dela outra, e antes provavelmente outra ainda, mas beleza, e não sei se amor.
- o amor é feito de superstições
disse alguém e ouvi a minha voz seca, cega de beleza, provavelmente era ela.

nunca fui supersticioso, mas quando se não tem respostas elas parecem cair do céu como sinais. ora uma estrela cadente, ora chuva, ora cocó de pássaro, ora escarro de alguém no andar de cima. mas chega sempre algo. às vezes chega enganado, não é para nós
-ouviste?
não, não ouvi... provavelmente voou
-provavelmente voou?
sim, o meu barco, mas como estás a falar comigo?
-não sei, às vezes ouço vozes, sinais... e a propósito de quê é que estavas a falar de barcos que voam...
é o meu barco. é um barco-mosca.
-capitão Haddock?
sim
-é um sinal para mim?
não, é para um tal de Jorge
-ah, desculpe.
de forma que muitas vezes sinais enganados, e talvez por isso que eu não supersticioso.

nunca fui supersticioso, e no entanto tremo quando vejo esse número, lembro-me de imagens, futuros, passados, superstições, medos, tremores, sonhos, tudo meros relances. e já nem me lembro quem és