quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 --> 2010


2009 foi muita coisa. Grande ano para a música portuguesa, modesto para a música internacional mas crescentemente degradante nos seus principais Media, pareceu-me bom para o cinema, quente para a literatura, fraco para economia, triste para a política portuguesa e internacional (em particular para a italiana), e assustadora para o planeta. Aconteceu muita coisa. Parece que ainda ontem estava a pensar "Epá, este vai ser um ano do caraças!" como penso todos os anos, este com uma expectativa acrescida pelo seu valor numérico. Cedo se tornou um ano de solidão e reflexão e de pré-revolução.

***

2010 será muita coisa. O quê? Não faço ideia... Pensei que ainda estava mais longe, mas está a cerca de 2horas e 3 minutos. Expectativas? Muitas...




que posso eu dizer?
FELIZ 2010!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Up

Um dos melhores filmes de animação que já vi, e um dos que mais me emocionou, pelo menos nos últimos tempos. Adorei a música, composta por Michael Giachinno, e a história é bem profunda. Foi o primeiro filme de animação a abrir Cannes. Justifica-se, porque é sem dúvida um grande filme. Talvez não seja sequer o melhor filme de animação do ano (estou muito curioso em relação ao Mary and Max), mas duvido que algum filme me venha a emocionar tanto como este, talvez muito por causa do peso do passado nesta história.
Aqui posto a minha parte preferida do filme: parte da introdução.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Avatar

Sou muito céptico no que toca a filmes engrandecidos pela crítica, assim como grandes sucessos de bilheteira. É o caso deste filme. Esqueçam o 3D... O filme vale por si só!!! Uma grande história, que nos vários comentários que ouvi parece ser esquecida... Realizado e escrito por James Cameron, este senhor merece vénias. 5 anos de trabalho creio? Notam-se muito bem, até parecem poucos. Não exagerarei ao ponto de dizer que é o melhor filme dos últimos anos, nem me arriscarei sequer a dizer que é o melhor filme do ano, mas é sem dúvida um grande filme!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

E Feliz Natal para todos!!!!



Para quem gosta mais de John.

noite fora #5



Passou muito tempo. De tudo. Não me lembro de ser. Não sei se sou. Lembro-me da vida há muito tempo. Lembro-me de pensar que belo ano que vai ser, ironicamente, num qualquer dia 1. Hoje, já vejo o final desse ano. Não foi belo, não foi nada. Cru, seco, banal. O ano passado era. Não sei o quê, mas era. E este ano fui sendo também. Cortei, com muito custo, muitas cordas que me uniam ao passado, ao que sou quando chove. Mas nunca cheguei a ser verdadeiramente.

***

Não gosto de datas. Por mim os dias poderiam ser todos iguais. Era da forma que não éramos presos em armadilhas do tempo. Já? A sério? O tempo nunca é na quantidade em que parece ser. De que me vale viver um ano, se todos os segundos são no fundo iguais? E o mais curioso é que me prendo a esta realidade que, sem lógica e sem sentido, me fascina. Talvez por isso mesmo: estou farto de planos, de estratégias, de linhas, ainda que as faça sempre e para tudo.

Está aí o Natal. É me indiferente. Perdi-lhe o gosto, como já perdi à Páscoa, ao Carnaval, à Passagem de Ano, etc... E o Natal é belo! Pelo menos escrito, filmado, cantado. Tão fantástico!!! Ao vivo não é tão fantástico... É muito mais banal, consumista, superficial, do que belo, profundo, forte. Talvez esteja doente, não sei... Talvez seja mais engraçado ver o mundo de uma forma mais deprimente. Ainda que corra o risco de me tornar depressivo, ou até mesmo deprimente.

***

Adoro esta música. Do início ao fim. Nunca pensei ser possível gostar tanto de uma música instrumental. Nunca pensei poder de gostar de PF sem o Roger. Nunca pensei que a definição da vida pudesse ser tão simples. Não a consigo explicar, mas quando ouço esta música sei perfeitamente qual é. Ela cheira a noite, tresanda... Cheira a homem. Cheira a desespero, que a par da culpa é talvez a maior das emoções humanas. Um homem desesperado corre. Nalgum sentido. Também eu corro, ouvindo esta música. E neste meu inferno depressivo, deprimente, ridiculamente enfatizado, ou mesmo puramente ridículo, meramente infantil, sem razão de ser, estúpido vá, vivo mais que muita boa gente. Podemos chamar a esta música uma eternidade. É uma eternidade, e eu estou fechado nela...

***

Não ligo muito a datas, mas ainda assim, desejo a todos UM FELIZ NATAL!!!!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Evolução




A Evolução estará eternamente presente em tudo. Também o Homem evoluiu, evolui e evoluirá. O Homem é um animal, e está por isso sujeito às mesmas leis que outro qualquer. Segundo Lamarck cada espécimen sofria alterações individuais de acordo com as suas necessidades, passando esses caracteres à sua descendência. Segundo ele, as espécies evoluíam no sentido da perfeição. Darwin, mais aceite que Lamarck, sugeriu que dentro de uma população de indivíduos da mesma espécie, todos tinham características diferentes, e por isso, só os melhor adaptados sobreviveriam, passando essas características à descendência. Darwin também fala algures da evolução como estrada para a perfeição.

Tal como o Homem, também a Sociedade evoluiu, evolui e evoluirá. Creio, no entanto, que a evolução a que esta está sujeita não tende para a perfeição, por isso das duas uma: ou a sociedade não se rege pelas mesmas leis que os animais, ou estas contém erros, e toda a evolução é muito mais aleatória do que parece ser. Não digo com isto que a evolução da sociedade é aleatória, porque a palavra não descreverá na perfeição aquilo que pretendo demonstrar... A sociedade está talvez com menos defeitos que há uns anos valentes atrás, mas está muito mais imperfeita como todo que é. Note-se que não falo de política, nem de causas maiores, mas de coisas ditas "menores" que enchem todos os dias e que com certeza têm uma influência enorme nas causas maiores.

"Vejam o que nos está a acontecer - esta especialização. A despersonalização está a tirar todo o significado humano à nossa vida quotidiana. Um homem costumava orgulhar-se da forma como conduzia. Agora um carro guia-se sozinho. Uma mãe costumava orgulhar-se dos seus bolos. Agora eles fazem-se sozinhos. Um rapaz costumava orgulhar-se das coisas que inventava para brincar. Agora está soterrado em brinquedos feitos em fábricas. É triste , não é?" dizia Tati (Post em O Homem Que Sabia Demasiado)

Só o facto de estar aqui a escrever já passa muito dessa imperfeição: a virtualização desta mensagem e a consequente banalização. Parece-me que as coisas começam a perder magia, valor. Parece-me que toda a evolução que a Sociedade sofreu nos deixou num sítio mais pobre, e sem graça: mais fácil de viver.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Peço desculpa a todos os socialistas...

Mas o Sócrates mete-me nojo!!! O PS está na ruína! Desceu tão baixo! Está a tornar-se ridículo! Quase tanto como o Berlusconi...

Mais uma vez peço desculpa... Mas é a verdade.

A ouvir #13

Para mim, a melhor música da década, do melhor álbum da década, com um dos melhores videoclipes da década. Até nem são os meus favoritos, mas tendo em conta tudo que os rodeia, parece-me que são mesmo o melhor trabalho da década.



Já agora aqui vai a minha música preferida do Demon Days:

sábado, 19 de dezembro de 2009

A ouvir #12

As pessoas são falsas

Enganam os sorrisos as vozes, modificam as luzes... Só para não mostrar a sua real face. Não se querem perder na verdade de ninguém. E eu fraquejo por viver acelerado. E que digo eu calado? Nada... F***** que não sei o que dizer... São tão falsas as pessoas que tenho de ocultar a minha voz, que ainda ma levam... E daí? Eu também sou...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

take just a miserable second #14







A do Hendrix é o meu toque de telemóvel. A do Dylan é a minha preferida. Não arranjei melhor vídeo.

sorriso mar frio


Foto de Hiroshi Sugimoto


Está frio. Como se isso me importasse! Sorrio, rio e engraço com o frio que abraçando me vai contando que já fui homem. Agora pó rio-me, como o rio que sai dos seus olhos, rumo a um mar desconhecido. Adoro esse rio, esse mar, sorrio. E o mar é ela, como majestade tempestuosa que põe na mão o coração, e sorri. Que sorriso esse! Até me faz tremer! Algures bem lá no fundo de mim. Ainda tremo, ainda que já quente, e ainda que não haja pedaço que tente, mais, ser frio. Tremerei de frio ou sorriso? Medo. Tremo de medo por perder o que não tenho, o que não me pertence. O mar longínquo parece cada vez mais belo, cada vez mais longínquo, cada vez mais acolhedor. E eu que tenho frio.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Anedota da Educação



Vivo numa vila onde tudo se sabe em pouco tempo. Toda a gente sabe se fulano tal casou ou não. O concelho tem 30000 habitantes, a vila não deve ter metade disso, por isso... Toda a gente sabe quem morre, e espalha a notícia. Também se sabe dos cancros, quem teve quem não teve. Pois bem, nos últimos dois anos cerca de 5 professoras na escola teve cancro, o que é muito elevado, para um concelho onde muita pouca gente chega a ter cancro. No concelho os casos também têm disparado, mas creio que não tanto como na educação, que é apenas uma pequena classe profissional, que não deve representar um décimo da população do concelho. No entanto os casos conhecidos de cancro devem ser bem mais que um décimo que os manifestados em todas as classes profissionais.

O amianto é uma substância cancerígena e representa a cobertura de grande parte das escolas do país. Naturalmente este pode ser visto como um factor perigoso, e é. As escolas não fazem a sua substituição, nem os conselhos executivos, nem a entidade máxima da Educação. Já tive um professor que fazia parte do Conselho Executivo. Segundo ele a quantidade de amianto nas coberturas não era muito considerável, pelo que não se justificava o emprego de quaisquer fundos. Ora, esta é uma substância extremamente cancerígena, proibida nalgumas partes do Brasil, França, Inglaterra, ...Todas as partículas de amianto são consideráveis!

Seria muito caro substituir todas essas coberturas por chapas metálicas? Talvez não fosse barato, mas não seria mais caro do que os novos plasmas que apareceram na escola, provavelmente fruto do plano tecnológico, que, numa escola com este atentado à saúde pública e onde chove dentro por vezes, se torna ridículo. Muito, muito ridículo!

Sei que disse que não iria mais falar de política, penso que até tenho cumprido, mas com coisas tão ridículas como isto, e com muitas outras que se têm passado (tantas), e eu calado, cada vez mais se vê que este primeiro ministro só sabe fazer propaganda política, esquecendo-se de que há um país que há cerca de 15 anos, 20, está à espera de governantes, e que nunca conheceu políticos 5*.

Fugi um pouco do tema, mas aquele homem,(perdoem-me o Ad Hominem) que faz tudo a pensar nas próximas eleições, que quer mandar no seu partido e nos outros, que se esquece que agora manda menos que os outros 4 partidos, e que só está no poder porque há alguns fanáticos, outros interessados, e alguns que não queriam arriscar noutra cor política, tira-me do sério, de tão pouco sério que é. Qualquer um dos outro quatro partidos era melhor escolha, pelo menos enquanto à frente do PS estiver esse senhor, " a esquerda possível" com que Manuel Alegre o apelidou, descendo na minha consideração (que era muito alta), esquecendo-se que Portugal para Sócrates são os poderosos, e um punhado de familiares.

John Frusciante abandona RHCP



Note-se que a notícia ainda não foi confirmada. Sinceramente estou muito cauteloso em relação a isto... Mas se por acaso se confirmar não fico demasiado admirado. É um excelente guitarrista, e encaixava nos Red Hot perfeitamente, mas parece que o seu lado mais lírico e vocal perde um pouco neste tipo de projectos.

Sempre o achei muito parecido com o John Lennon fisicamente, e, respeitando as devidas distâncias, mesmo artisticamente. Se Lennon não ganhou muito com a saída dos Beatles, a meu ver, o Frusciante pode ascender a um outro nível em reconhecimento.

Se isto se verificar, só espero, que os RHCP não se limitem a manter o nível que têm tido (contestável no que aos álbuns diz respeito, apesar de muitas grandes músicas) mas que melhorem um pouco (podiam começar a fazer álbuns, e deixar de fazer aquelas espécies de compilações).

Gosto muito de RHCP e do Frusciante a solo, preferia que ambos os projectos se mantivessem, mas se não for possível, que ambos continuem a fazer boa música.


"louco agride Berlusconi"

Louco? A mim parece-me bastante normal...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ser sendo. sou


Edward Munch, Scream

Lembro-me de ser, de ter sido. Agora nada, sinto-me perdido. Só nas cordas de uma guitarra, na voz de um anjo, nas lágrimas de um inocente me consigo encontrar, mas encontro-me perdido.Por mais que queira não depende da minha vontade a minha existência. Só sou quando me deixo ser, quando me esqueço que sou, ou que algum dia fui. Acho que já fui, mas por vezes tenho dúvidas, porque ser, ser todos são, mas muito poucos são seres. E eu tento ser. E eu indo ser lá vou conseguindo deixar-me ser, e sendo vou ser. Sou mas nunca fui talvez mais que pó. Pó sobre a memória, pó sobre o passado. Um pouco do pó de uma ampulheta que nem sequer é.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A ouvir #7

Com defeito



Tem um dente torto? Meta um aparelho. Tem um rasgo, por mais pequeno que seja, na camisola? Cosa-a. Tem o cabelo despenteado? Penteie-o. etc. Parece que hoje tudo tem de estar perfeito. Se calhar já era assim antes, mas antes não vivi, ou não me lembro.

O ser humano deve caminhar no sentido da perfeição, tem de querer ser melhor do que é, mas não demasiado. A raça e o indivíduo. Todos os homens. Eu tenho de fazer isso não sei bem porquê, mas tenho. Chamem-me conformista, chamem-me incoerente, mas eu acho que uma pessoa não tem de se melhorar constantemente. Acho que isso é uma decisão nossa, de cada um dos seres individualmente. Posso até me querer melhorar, e melhoro (tento pelo menos), mas não quero que me obriguem a fazê-lo. Em coisas mais importantes para mim, como alma, capacidade intelectual e da mente, faço-o, em coisas que não são muito importantes para mim, por mais que me peçam, tento não fazer.

A única hipótese que nós temos de nos tornarmos perfeitos, é eliminar os defeitos. A perfeição, tal como é entendida e conhecida por grande parte de nós, é algo idílico, inatingível, para outros é o equilíbrio, de onde se destaca o equilíbrio da vida. Eu encaixo-me no segundo grupo. Por isso acho que a coisa perfeição é aquela que tem vários defeitos (por vezes muitos mesmos), para funcionar na plenitude como deve. Aliás, que piada tem algo sem defeito? Por isso me declaro com defeito.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A ouvir #6


Porcupine Tree "Time Flies"

Lasse Hoile | Vídeo do MySpace

@ myspace (#2) - Inmyths

Entrei num myspace que se apresentava pouco popular: 930 visitas; 676 reproduções totais isto desde 10-11-2005. De qualquer das formas ouvi algumas músicas. (boca aberta) . Foi sem dúvida uma surpresa ver alguma daquela música, que talvez não sendo espectacular (muitas dúvidas), está a quilómetros de distância desse ponto das 930 visitas! Se eu ouvisse as músicas diria que no mínimo tinham entre 10000 e 50000 visitas...

Não sei a que se deve tão número baixo! Falta de promoção, utilização de outra plataforma, falta de espectáculos... Creio que Inmyths, o projecto de Hugo Celso, reúne música que ele foi escrevendo, nos vários projectos em que entrou nos últimos 15 anos. Não sei, só sei que ele tem grandes músicas.





Esta nem é das melhores, e mesmo assim tem uma qualidade bastante elevada. Ele classifica o seu projecto com os estilos Grunge, Alternativo e Rock. Não sei se terá acertado no estilo. Bem, vejam e tirem as vossas conclusões com a poderosa "Seven Arrows", a introspectiva "Inmyths" e a ligeira "This song I wrote": @ myspace.

Aconselho. E muito.

sábado, 5 de dezembro de 2009

mentira


Agora que cantei meio mundo
Não tenho voz para ouvir.
Sem alma, sem mente
Vazio de ser, finjo mentir.

Ser que acorda sem ver,
Que dorme sem perceber
Que aí vem, o que se não quer,
Enquanto não puder.

Por mais que seja
Não me canso de ver,
De sentir sem ser.

Mentira a minha
Que surge
Quando parece que
A dor urge.

Sou um mentiroso:
minto que espero por ti
que espero por respirar
que sinto o que digo
que a vida é bela:

minto que sou

in caderno verde
um dos melhores que escrevi talvez.
finjo mesmo ser.
mais aqui ou aqui.

Sombra


Dr. Hugo Heyrman, Waiting, 2006, acrylic paint on paper (21 x 29,7 cm.) hip.aqui

Não és mais que sombra, tu. Não és mais que sombra, mas falas para mim. E eu não respondo: a minha mãe não me deixa. Não posso falar com estranhos. E tu és uma estranha. Acho que já foste outra coisa qualquer, mas agora és uma sombra, ou outra qualquer criatura esquisita. Peixe? Peixe não és... Então? Não poderias ser? Poderias, mas não és... És mais alma, mais vida do que outra coisa... Mas não a vida que tinhas dantes, uma nova vida que não te pertence, nem a mim, nem a ninguém. A alma cheira a velha, mas não é. Nova. Fresca. Acabadinha de fazer. Não és quem eras, nem serás, nem foste (ou será que sim?). És só a sombra de algo pouco claro. Já nem sei se és, pelo menos para mim. Pareces estranha. E eu não posso falar com estranhos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cansaço


Tired by billysphoto

Ando cansado. Ando eu, anda toda a gente. Uns mais que outros, mas toda a gente está de qualquer forma cansada: tal como miserável. Uns estão cansados de viver, outros por viver. Uns cansados de não fazer nada, outros por nada quererem fazer, e não poderem. Um descanso às vezes iria bem. Hoje ir-me-ia bem. Ficava-me bem: até combina com o meu tom de pele. Deixo de ter alma, por esta ter estado tão forte algures no tempo. E apetece-me descansar. E a todos nos apetece descansar.

Quem corre por gosto não cansa, mas algum dia terá de parar, e quando parar vai notar o cansaço... Eu não sei em que me canso mais: se a correr se a me cansar de correr. A nossa vida é uma jornada, e temos muito que correr. Temos duas opções gostarmos da corrida, e não parar até ao fim até sucumbirmos no meio da estrada, ou queixar-mo-nos toda a corrida, e acabar o nosso caminho estafados, felizes ou não, mas aliviados.

O cansaço cansa. E atrapalha. O cansaço consegue moldar a nossa atenção, a nossa mente. Consegue até afectar a nossa inteligência. Eu sinto-me mais criativo quando estou cansado, mas tenho menos vontade de criar. Só não gosto de me cansar por causa de outros, por causa de outros mo exigirem. E é por isso que me sinto tão cansado: por que tenho feito a corrida de outros.

Peço desculpa por vos submeter ao fruto do meu cansaço, mas como vocês talvez estejam tão ou mais cansados que eu, vão ler, ou não, passando os olhos por cima, e achar que o que eu escrevi é perfeitamente normal, como eu acho aliás, neste preciso momento.

A ouvir #5






Não sou grande adepto do Natal. Acho que resume a um dia um ano inteiro. Mas esta música é sem dúvida a mais bela música de Natal que há.

Aconselho este vídeo (era impossível postar).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

take just a miserable second #12

Pára um bocado e respira. Sente o ar a entrar no teu corpo. Sente, vive. Tira um segundo só para ti, só para a vida. Tira um segundo para viver, já que nos outros todos estás tão ocupado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

caderno verde



Imaginem que expressavam os vossos sentimentos, pensamentos sob a forma de poemas num caderno verde. Foi o que eu fiz. Daí o nome. Limitei-me a quase copiar e colar o que lá escrevi, por isso talvez não seja uma obra propriamente dita, muito menos perfeita. Podia ter limado arestas aqui, mas o que eu quis foi conservar o que tinha escrito neste último ano, em que muita coisa aconteceu. Pode ter muitos defeitos, mas também eu tenho. Este livro não é mais que eu no último ano, em determinados momentos. Daí a tamanha repetição de poemas na primeira pessoa.

Não tenho objectivos comerciais ou de outra ordem com esta edição, mas de qualquer forma quem quiser pode fazer download gratuito, ou mesmo comprar.

A quem for ler, se por acaso alguém o quiser fazer, aconselho que comecem pelo fim, porque apesar de a ordem não respeitar sempre uma linha temporal, a parte final está consideravelmente mais forte, mais poética diria até.

Cumprimentos.

O sonho


fonte algures no Google Images

O sonho era grande.
Maior do que parecia.
A realidade, pequenina,
Cantava calada
Que perecia.

O sonho era grande,
Tão grande que se confundia
Com a realidade,
Enquanto eu, irónico,
Sorria.

(mas sem qualquer
vontade de sorrir)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O vendedor de jornais


- Um, dois, três.

Parecia contar o tempo baixinho (ou o tempo contava-o a ele?). O vendedor de jornais sorridente: mais um cliente. O frio era algum e corria sem se ver. E as pessoas não viam. E as pessoas não se aqueciam umas às outras. Havia muitos carros, como já era habitual. Estava um dia particularmente citadino, com os seus sons e cheiros. Os raios de Sol cortavam as nuvens que caíam no solo cansadas, da muita água derramada. Um arco-íris! Momentâneo, mas estava lá, efémero como tudo, eterno por segundos. O vendedor de jornais sorria: já tinha valido a pena ir trabalhar! As pessoas passavam de olhos fechados e alma invisível (ou de alma fechada e olhos invisíveis?) seguindo as marcas no chão. Em tudo era um dia normal. Isto é, se houver tal coisa.

Eu estava na esplanada, ao fundo da rua, de onde podia ver tudo: a mercearia da dona Dores, o café do senhor João, a pastelaria do Vitorino, até conseguia ver ao de leve o reflexo de Bruxelas e outras mil cidades europeias. Estavam todos cheios de gente que procurava naqueles espaços familiares a família que nunca teve verdadeiramente. Não conseguia ver o vendedor de jornais, escondido por uma multidão de pessoas, que queria saber tudo sobre o último escândalo, que procurava esconder a sua vida nas garrafais letras dos títulos. Eu tomava um café enquanto esperava por ela. Conhecera-a há seis anos, num dos meus grupos de amigos. Andei três anos pelas ruas sem a ver, sem a entender como era. Nos últimos três, ela foi o centro de tudo: durante um enlouqueci por ela, no seguinte tentei esquecê-la, e no último tornei o sonho real. Éramos só amigos, mas isso já era muito sonho. Esperava-a sob o olhar dos telhados das casas antigas, como se esperasse por uma nova vida, melhor, mais minha.

Conseguia ver agora o vendedor de jornais, solto de pessoas. Ele olhava cada alma que por ele passava, como se procurasse dentro delas, aquilo que perdeu há muito dentro de si. E todas as almas se olhavam a medo, pelo canto dos olhos, procurando algo umas nas outras, fechadas dentro de uma pequena caixinha de carne, algures perdida dentro do crânio dos animais. O vendedor de jornais deixava a sua alma livre, deixava que ela comandasse o seu corpo e não o contrário. Por isso foi o único que, naquele dia igual a tantos outros, previu e tentou prevenir a minha morte.

-CUIDADO!

Mas era tarde demais. Ela, a minha nova vida, tinha acabado de ser levada, enquanto eu olhava para ela, sem reparar no carro que viera.

A ouvir #4



e a Lights Out. podem ouvir essa aqui.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sonhador


Dream Machine, by Robert K.


Nunca fui pessoa que gostasse de sonhar. Entro sempre em conflito comigo próprio, porque não gosto de sonhar em cenários impossíveis, ou irrealistas, e isso faz tão bem... Nem em pequeno era capaz de o fazer.Isto não quer dizer que não sonhe. Sonho e sonho muito... Então ultimamente ando imerso em universos paralelos, que nada, pouco ou muito pouco têm a ver com a realidade. E nunca andei tão bem. Despreocupado. Separado da realidade. Sonhador.

sábado, 28 de novembro de 2009

A ouvir #3

15/07/2008 - 22/11/2009



foto aqui


Em menos de uma semana arrumei um ano de escritos. Demasiado eu. É o eu que lá está escrito, demasiado talvez até. É o eu, a busca da minha liberdade, e da minha identidade. Continuo à procura, mas estou já mais perto, talvez mais longe, de cada vez que procuro. Por respeito a quem tenho vindo a ser, evitei apagar o que quer que fosse, claro que houve algumas mudanças inevitáveis, é o tempo que passa. Apenas três poemas saíram, porque não se justificavam. Terá muitos maus momentos, momentos em que me envergonho lendo-os, mas sei que fui assim, e não posso mandar essa parte de mim embora. Ainda por cima não é para ser um êxito, é para eu o ler e poder voltar a casa, ao passado a que já pertenci, porque já lá voltei quando o li só para montar, corrigir, melhorar... E é a minha alma que está lá, reconheci-a! Por vezes banal, sempre insaciável, com olhos apenas para si própria, sou eu, ou pelo menos, alguns eus que já fui e vou sendo.

Por agora vou-me ficar mais um pouco pelo Passado. É que está-se mesmo bem por aqui.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vincent - Tim Burton - curta . 1982

Uma amiga mostrou-mo há pouco tempo (obrigado Paula!). Não conhecia. É espectacular! Tem uma música simples mas linda, profunda. Quanto ao ambiente, tresanda a Tim Burton. Conta a história de um rapaz de sete anos chamado Vincent cuja imaginação é completamente fértil e macabra. Uma criança triste que brinca sozinha, inventado universos próprios. É um clássico sem dúvida, mas eu não conhecia. Pormenor interessante, a história é narrada por Vincent Price.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

@ myspace - Mob of God

Existem imensas bandas com imensa qualidade no myspace, e no youtube ou por aí desconhecidas, e muitas delas com imensa qualidade. Para isto servirá este espaço.



Note-se que os Mob of God não têm meios limitados, e isso sente-se nalgumas músicas. O som nalgumas músicas não é de grande qualidade, mas isso é exterior à música deles. Poderão não ter músicas perfeitas, e moderão mesmo ter grande margem para melhorar, mas têm defenitivamente boa música. Influências? Difícil dizer... eles próprios afirmam que têm imensas influências! eu sinto um cheirinho a guitarras próximas do Jazz ou do Funk aqui e ali, noutros sítios mais Rock ou Metal. É difícil de descrever. Aconselho a ouvir a Lust Condemns e a cover da Jessica Rabbit, Why don't you do right. Gostei sinceramente da primeira, dos que ouvi, foi a minha preferida. Está mesmo muito forte, principalmente o refrão.

Mob of God, um nome a ter em consideração! Aqui fica o meu desejo de boa sorte!



Links
Canal do Youtube
Myspace

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nós, no mundo

Somos muitas, muitas pessoas. É triste, bastante triste, mas vive-se. Somos tantos, e tão diferentes, que é diferente lermos as páginas escritas por diferentes pessoas. As pessoas não se entendem umas às outras, perderam o poder de ler expressões, e os mal-entendidos multiplicam-se pelo chão da cozinha sujo, onde houve a mais recente discussão. Mais do que não se entenderem, as pessoas não querem compreender-se.

Não digo que por vezes não sucumbo há tentação de julgar os outros, como se não fossem também pessoas, mas não passo a vida a julgar os outros, e se passo, peço desculpa. O que é uma pessoa má? Quando é que alguém é arrogante ou tem a mania? Como é que se julga isso? Porque se por um lado compreendo que o Saramago seja considerado arrogante, não vejo de tudo a arrogância no Lobo Antunes, por exemplo... Acho-o uma pessoa, que por ser verdadeira, por não ser falsa, por dizer o que tem a dizer fica com uma imagem dessas. E são destas coisas que criam as imagens que as pessoas têm umas das outras. E são destas coisas que criam os mal-entendidos, as zangas, os ódios, os sofrimentos, as guerras.

Porque ódios nascem de mal-entendidos, e por vezes de maldade pura, mas de mal-entendidos maior parte dos ódios nascem. As pessoas não querem tentar compreender as outras: querem falar mal, querem ter motivos para não gostar, e quando vêm algo de que possam falar mal, aproveita-se logo. Sou sincero, faço isso muitas vezes, mas logo a seguir penso, critica indevida. Porque é muito difícil falar mal de uma pessoa. Pode-se falar mal do que ela faz, mas é complicado falar mal de uma pessoa. Só é possível fazê-lo quando há falta de compreensão.

Ne change rien





Curta de Pedro Costa de 2003, segundo o site dele, descobri-a nos anúncios da 2 (que são os que mais gosto de ver, devo dizer). Creio que saiu agora uma longa, com o mesmo título.


Em Ne Change Rien, Pedro Costa filma Jeanne Balibar, a cantora. É o resultado da amizade e do trabalho de vários anos, que em 2005 tomara a forma de uma primeira curta-metragem, intitulada Ne Change Rien.


Jeanne Balibar – já conhecida como actriz, em filme de Jacques Rivette, Laurence Ferreira Barbosa ou Olivier Assayas, entre outros, lançou o seu primeiro álbum como cantora, Paramour, em 2003, e prossegue desde então o seu trabalho em ambas as áreas. Nos palcos, foi dirigida por Olivier Py, Julie Brochen ou Boris Charmatz.

in Fundação Serralves

Esta curta é muito bela, digamos assim. A voz da Jeanne Balibar é especial, forte e frágil ao mesmo tempo, e dá muita força à simples guitarra que numa primeira fase a acompanha. É particularmente bonita a primeira parte. Preciso de ver a letra, porque o meu francês já não é o que era, isto se alguma vez foi! Recomendo.

domingo, 22 de novembro de 2009

noite fora #4



vejo a minha vida ser escrita numa pequena agenda, a que eu chamei de caderno, por motivos poéticos. a tinta começa a acabar. ...filmes de treta na TV é no que dá... vejo-me aqui impelido contra o grande saco de seres que eu sou... em diversos formatos: canto, escrevo, soletro, até vou dando uns pezinhos de dança, e finjo que realmente me agrada. e chega a agradar. esta vida não é mais minha que do vento que passa lá fora. não sei porque disso isto, nem o que quis dizer com isso, sei que fica bonito dizer, e eu vou sendo bonito, a ser o que nunca fui lá muito bem.

***

estou cansado, cheio de sono, ainda assim dei-me ao trabalho de vir aqui de propósito, para escrever umas palavras que finjo me saírem das mãos como se cera fosse (Cera??? Sim, cera..). com que objectivo. com algum certamente. com que objectivo um artista escreve, ou pinta, ou canta, ou faz outra coisa qualquer enquanto dança o vira. (não sabia que dançava. só Às vezes quando ninguém vê). talvez em busca de algum reconhecimento público, talvez em busca de algum prazer do momento, talvez em busca de algo que se esconde por detrás dos sentimentos, talvez porque me apetece uma perninha de pito frito, mas não sei que mais fazer. não sei porque estou aqui a me armar em esperto, a fingir que não tenho piada nem disposição para continuar a viver, só sei que me sinto bem assim, e por mim, continuava a escrever até o Sol se pôr... ou nascer, ou lá o que ele faz pela manhã.

***

páginas soltas: vida. é tudo o que tenho.... com algum tipo de desejo gosto de marcar a minha alma em papel, como se de uma folha de uma videira (ou de outra árvore qualquer) se tratasse. o perfeito está longe, algures no meio da roupa suja, por lavar. o sentido da vida mantém-se incógnito. e eu quero lá saber. estou com sono, pouco me interessa se sou ovelha, porco ou avestruz... mas quero muito ir para a cama... mas estou aqui tão bem... e a preguiça prega-me ao sofá. quero marcar a preguiça numa folha, a preguiça e o resto da minha alma, como se fosse mesmo minha... tenho essa ânsia, e ela não desaparece, sempre com o seu nariz empinado. passa um século e continuo a ser nada: ninguém leu o livro que escrevi. que serei então? pó de nada? pó de vida? pó de arroz? por isso vou rezando. por viver quanto melhor possível, e quanto mais. e vai-se vivendo, ou ia-se que estou a começar a ter fome...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

grupos



Estar num grupo não é fácil. É preciso manter o passo, acompanhar um ritmo, sorrir quando não se acha piada, sentir o que se não sente, ... Para se pertencer a um grupo é preciso querer-se. Eu não estou disposto a ser o único a abrandar ou a acelerar o passo, por isso muito dificilmente me vêm completamente inserido num grupo. Ando num, e sem dificuldade: não preciso de acelerar o passo, não preciso de parar, nem abrandar, já temos todos o mesmo ritmo. Mas isso já não é um grupo... é muito mais

música portuguesa em boas mãos - Governo



Chamam-se Governo e editaram recentemente um EP na 3ª série Optimus Discos, que para mim é já a melhor das três. Constituídos pelo escritor Valter Hugo Mãe, e os membros dos Mão Morta, Miguel Pedro e António Rafael, têm um som muito próprio, marcado especialmente pela voz de Valter Hugo Mãe, que se encaixa na música, de uma forma invulgar...
Quanto ao seu EP tem 5 faixas, das quais destaco a Propaganda Sentimental. Uma música calma mas poderosa, faz sentir e bem. É das que dá vontade de cantar....


Este projecto tem futuro, não só pelo reconhecimento que estes músicos têm, mas também pela qualidade que apresentam... A música portuguesa está em boas mãos...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

take just a miserable second #10


Waiting in Snow, del.icio.us

esperámos uma vida que pare de chover, que pare de nevar: que o caminho fique desimpedido. quando damos por nós, vemos que o caminho está agora cheio de neve, de água, de obstáculos. e nós sorrimos, ou choramos, sem ver o outro lado, mas sabendo que ele está lá.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Resmas de tempo



Tempo, doce eterna inconstante, impossível de definir, explicar, ou de entender. É um conceito de tal forma complexo, foge-nos de tal modo a tudo o que podemos saber, que é impossível dizer o que quer que seja sobre ele, completamente conscientemente. Sabemos que o tempo passa por nós... Passa ou acontece? Por isso não vou falar sobre a semântica em torno do tempo, ou desse conceito, não tão fácil de definir como inicialmente, antes da tomada de atenção, pode parecer.

Hoje, ou melhor, neste momento, pouco-me interessa o que é o tempo, se passa, se acontece, se corre, ou se está paradinho sentado numa paragem a fumar um cigarro. Estou bem, confortável. Música agradável. Uma modesta quantidade de ócio, sem exagerar! Pouco me interessa o que quer que seja... Só me interessa viver por agora. Por agora e por mais loguinho, que estou bem disposto.

O tempo é algo incrivelmente relativo. Conheço poucas coisas tão relativas como ele! Ou pelo menos, que tenham uma percepção tão relativa! Passei a tarde em casa. Míseras 6 horas. Não me lembro de estar fora de casa... Já nem me lembro de jantar, e foi há cerca de uma hora... Nem mesmo de ter iniciado este post, e não vai assim há tanto tempo.... É impressionante a forma como o tempo acontece! Parece que corre depressa, mas olhamos para trás e vemos o quanto vivemos, que foi muito, e muito. Cada segundo é uma pequena eternidade fechada em si!

Eu quero viver. Não tenho medo de morrer. Se não fosse quem está de fora, podia morrer já agora, mais loguinho, ou daqui a décadas, ou séculos. (só não quero que mo digam). Está-me a saber bem cá estar, mesmo quando estou deprimido, depressivo e deprimente me sabe bem cá estar, por isso nunca seria capaz de fazer o que quer que fosse contra mim. Mas se cada segundo é uma eternidade, não interessa quantos vivemos: basta um para vivermos eternamente.

e eu cá estou a fazer o meu melhor por isso

domingo, 15 de novembro de 2009

As crianças do Ocidente


trabalho PT (note-se a linguagem formal), comentário a uma imagem semelhante

Várias campanhas utilizam publicidade icónica ou chocante para passar a sua mensagem. É o caso deste cartaz.

Vivemos numa época em que impera o consumismo: o que interessa é comprar o mais possível, respeitando marcas. Parece que quando se não compra, há um vazio na identidade das pessoas. Elas não sabem o que são, e parece que comprando vão desenvolvendo um estudo profundo com objectivo de descobrirem a sua personalidade. Marca x é descontraída, y desportiva, z séria, o divertida, k triste, e por aí fora. Sabendo que marcas uma pessoa usa, sabemos mais ou menos o que as outras pessoas acham dela.

Essa é a principal preocupação dos povos ocidentais e seria irónico, se não fosse tão chocante, quando comparada com a principal preocupação de muitos povos: sobreviver. Estes povos não têm tempo nem dinheiro para se preocuparem com coisas tão supérfluas, e eu atrever-me-ia a dizer, incluindo-me no lote dos que ligam a isto, tão infantis. É este paralelismo que o cartaz tenta fazer: a pobreza do “ terceiro mundo”, que nem pode dar-se ao luxo de viver com algum conforto, e a pobreza de espírito ocidental, que exige não só o conforto, como exige determinadas marcas.

Já aqui apelidei o povo ocidental de infantil. O texto também o faz, com a imagem do “beicinho da criança”. A criança que queria umas Nike e teve umas Adidas, enquanto em África improvisam com garrafas velhas: esta mensagem não é só para crianças mas para todas as pessoas supérfluas e ingratas. Naturalmente incluo-me no lote.

Este cartaz pretende, senão acabar com o consumismo, pelo menos acabar com a ingratidão que a ele está associada. É uma campanha muito importante. Pelo menos para nascer respeito pelos povos mais pobres e pelo seu estilo de vida.

noite fora #3






sou escravo do que fui, e do que vou sendo. o passado é viciante para mim: ainda não aprendi a viver sem ele. parece que o livro em que escrevi a minha história está constantemente aberto, sem avançar. não quero ser mais nem menos do que sou: basta-me ser. e vou sendo por agora: filme japonês que não percebo, mas que não consigo mudar, os livros nas estantes a descansarem do seu merecido descanso (e estão assim há tanto tempo!) e eu aqui, sendo.

***

o que é que tu és?
-eu sou
mas o quê?
-sou
mas o quê?
-um ser
diz lá...
-mas como posso dizer algo que não sei?

e eu sou escravo da dúvida

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Nada



O nada é grande, incrivelmente grande. Eu não faço nada, ninguém faz nada, e começa a custar sentir pouco mais que nada. Há até quem diga que para lá do tudo, não há nada. Ora suponho, que para além do tudo deve haver muita coisa...

O nada é tão grande, que custa definir, explicar... Até falar sobre o nada por vezes coloca dúvidas, pelo menos a mim... "Não fazes nada!". Dá-se realmente muita importância ao nada, e ele bem que o merece... Não é um simples algo, ou um complexo tudo: é nada! E o nada não é algo? O nada não faz parte do tudo? Talvez, não faço ideia... Tudo o que eu sei é que não tenho nada que fazer e por isso estou aqui, a escrever nada.

Por tudo que o nada é, aqui lhe deixo a minha homenagem.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

...



O mundo anda deprimido. O mundo, a minha vizinha de baixo, o meu vizinho do lado, e o cão que se senta Às vezes à entrada do prédio a ver a chuva não cair. É uma depressão global que afecta todos nós. Não é a falta de dinheiro, é a falta de motivo, é a falta de essência, é a ausência de uma ordem e de uma estrutura, e o aparecimento duma previsibilidade que torna tudo parado. Dantes não se sabia como se fazia o quer que fosse, mas as coisas apareciam, aconteciam. Hoje, parece que este movimento a cem à hora é falso, parece que tudo está parado, ou quanto mais a andar para trás, em direcção a uma vida ignóbil, que nunca antes se viveu. O mundo anda deprimido. Eu não, eu sempre fui miserável, e um miserável já está habituado a isso tudo. Tudo o que faço é sorrir ironicamente para a toda a palhaçada e macacada.

Já não se escrevem cartas, já não se fala, já não se vê. A revolução tecnológica não me deixou de fora, mas não sou propriamente um adepto. As pessoas sem mais nem menos querem se suicidar. Se há coisa que eu faço, é questionar a minha existência, e até o seu valor. Mas nunca me passou pela cabeça fazer o quer que fosse. Não me vejo como um tipo infeliz, mas todos os sorrisos que transporto são muitas vezes exteriores. O suicídio não é coisa de pessoas felizes, mas sim pessoas felizes que não sabem como lidar com a tristeza... Eu dou-me bem com a tristeza... gosto mais da tristeza do que do tédio, esse sacana... mas há pessoas, que não a suportam, que não aguentam viver um segundo de tristeza, pessoas que talvez estejam mal preparadas para a vida.

Falo eu, criatura que não sabe o que diz, que nem sequer consegue continuar o tema de uma conversa... Que não gosta de criticar duramente, prefere criticar subtilmente, mas que carrega com dureza nas críticas. Agora sinceramente apetecia-me apagar todo o post, mas o que disse está dito, e não é completamente falso.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

não custa assim tanto existir



eu cá não me importo de existir. se existir. não cansa, mas mói. por não saber o que é não moer, não cansar, não sofrer é que tenho medo de não existir. a novidade cansa, mói, magoa. mas esta é uma daquelas novidades que eu não gostava assim tanto de experimentar. afinal de contas não custa assim tanto existir

"Sou um mulo que manca"




"como se chamavam as empregadas, dizia-lhes

-Tu

e bastava conforme lhe diziam

- Tu

em criança e lhe bastava também, de que servem os nomes e o que se faz com eles, no íntimo de si mesmo aceitava se o feitor e o filho o chamassem

-Idiota

em vez de se inclinarem com respeito

-Senhor

à medida que pensava não

-Sou o dono disto tudo

mas

-Sou um mulo que manca"
António Lobo Antunes in O Arquipélago da Insónia

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Uma qualquer estrada



Há uma estrada logo à entrada da vila que está igual desde que me lembro. Nada mudou, isto para não dizer que mudou nada. Toda a vila foi feita em obras, em construções ou reparações que a foram alterando: hoje é bem diferente do que era dantes, ainda que nalguns sítios muito subtilmente. Mas aquela estrada, logo à entrada está como se o tempo não tivesse passado. A única diferença é a vista que dantes se tinha e a imagem que fica nos olhos agora. O passado é como essa estrada. Por mais voltas que dermos, vai estar sempre no mesmo lugar, pelo menos até irmos em paz. Podemos dar quantas voltas quisermos, podemos vê-lo de formas diferentes por culpa do presente, mas o passado está lá, como esteve ontem, e ontem, e ontem, e antes.

Como esta estrada, milhares há. Como eu, milhões de outras pessoas olham para trás como quem olha. O passado é a única estrada garantida. Por isso às vezes não devíamos dar-lhe tanta importância. Não dar tanta importância ao que temos garantido. A nossa imagem. Criar algo novo. Algo verdadeiramente novo, que venha de nós, que venha do mundo. Seguir por uma outra qualquer estrada

09.11.89



"tear down the wall"

há coisas que não desaparecem. nunca

domingo, 8 de novembro de 2009

noite fora #2




há alturas da vida em que me apetece falar ou escrever, compulsivamente... cheirando o ar diria que não cheira a nada, ou que cheira a mim. apetece-me escrever agora, independentemente do que diga apetece-me escrever. apetece-me, porque como disse um post atrás gosto de ser livre, de correr, de voltar a ser criança, garoto, gaiato, infante, pequeno,... sabe bem ser o que não se é... sabe bem escrever...
**

o país vai mal, mal pa caraças, está um caos. de um momento para o outro surgiu um caso que só vem confirmar as suspeitas que já pairavam no ar há tempo de mais. de um momento para o outro a Terra abana, pelo menos aquele pedaço escondido por trás da Europa a que chamam Portugal. de um momento parece que os pilares da nossa ponte são feitos de cartão, e que a qualquer momento tudo pode cair. o que não é mentira. o país vai mal. sempre foi. mas parece que agora as pessoas não se preocupam com isso.

**

sinto saudades de alguém que não sei quem é. procuro nos meus arquivos mentais, mas passam indiferentes os meus olhos por cada uma das almas registadas. e continuo a procurar mas fora de mim. tudo me parece indiferente. nada brilha. e quando alguma coisa brilha um pouquinho, a sua luz parece cegar a vida, mas não passa de uma imitação de brilho. mas continuo à procura desse algo que não vou nunca encontrar (o nunca fica muito forte ali!).


sábado, 7 de novembro de 2009

Criança



Apetece-me correr. Desatar a correr por meio de campos e vales. Atravessar rios como lagarto que não sou. Tocar no Sol de passagem. Apetece-me correr, porque quero libertar-me de futuros, passados, presentes, ideias, ideais, pensamentos, reflexões... Quero libertar-me de tudo.. Quero libertar-me dos meus músculos, dos meus ossos, de todos os meus tecidos ...(quero que a minha pele fique espalhada pelo chão e pelo ar, por aí. Quero ser livre.... E, depois de me libertar, talvez consiga voar...

Quero-me libertar do que já vivi. Quero tornar a ser eu, eu, e só eu, sem quaisquer influências externas. Quero libertar-me. Quero correr. Quero tornar a ser criança.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Algures no mundo...

...neste preciso momento, alguém respira ao mesmo tempo que eu. Inspira e expira exactamente ao mesmo tempo que eu. Com uma tensão arterial e uma frequência cardíaca igual à minha, esse alguém escreve algures a sua alma. Aí acabam as parecenças. Nos milhões, biliões ou triliões de pessoas no mundo, muita gente pode ser igual a mim em muitos pontos, acredito que sim... Nem chego a ser um desses crentes na genética segundo os quais não há dois códigos iguais, gémeos fora... Não acredito nas probabilidades a esse nível. Acredito que haja pessoas iguais, que sintam o mesmo. Somente não acredito que haja almas parecidas ou sentimentos que sejam os mesmos... Essas coisas são sagradas

take just a miserable second #8


"Fui a Alcácer por um homem a quem quero muito, num momento difícil da sua vida: acabavam de lhe arrancar mais um bocado da infância, de lhe substituírem a existência por memória e quando nos mudam a cor à alma a gente sofre"

António Lobo Antunes

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

The Wall

Qualquer pessoa que aqui entre percebe logo o meu fascínio por Pink Floyd, especialmente pelo seu trabalho The Wall. Até agora sentia-me incompleto... Ainda não tinha visto o filme... Já vi... E é uma obra prima, um pouco alternativo talvez, talvez muito abstracto, mas fantástico.

Se ainda não viram, mais vale verem, do que acreditarem na minha palavra... Segue abaixo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pessimismo



Quase tudo o que escrevo, quer aqui no blog, quer a um nível mais pessoal, trata de tristeza, solidão, sofrimento, etc. Não sou, contudo, um pessimista. Eu posso até normalmente não esperar que aconteça nada de especial, mas não quer dizer que eu seja pessimista. Posso dizer que tudo está mal, mas isso não faz de mim um optimista. Sou até bastante optimista, porque no verso da moeda vemos palavras que falam de uma elevação de um crescimento, com sofrimento e dor, mas com intensidade.

O meu optimismo não é um daqueles que aparece por aí a dizer que está tudo bem. Também o faço, mas isso é no contexto social. O meu optimismo é aquele que mesmo vendo que tudo está mal, faz com que eu saiba que se quiser, posso sempre dar a volta.

De qualquer das formas, sim tudo vai mal: e daí? Continuamos a viver é o que interessa. Pegamos numa guitarra, numa folha e num papel, (também convém um lápis) e cantamos a vida que gostaríamos de ter. Pessimista, eu? talvez, mas também não me importo muito...

domingo, 1 de novembro de 2009

A nossa imagem


tirei-a daqui algures

Ao longo da nossa vida vamos criando imagens de nós. Umas na nossa mente, outras nas dos que nos rodeiam. Estas imagens são condicionantes à nossa actividade: nós vemo-nos como uma coisa, e dificilmente inovamos, ou fazemos algo completamente inesperado. Temos medo de fugir à nossa imagem, àquilo que fomos, ou que parece que fomos. Fora as devidas excepções. As escolhas que nós fazemos, para além da sua acção imediata, ainda vão influenciar um dia futuras escolhas.

Não queremos ser incoerentes com o que fomos no passado. Desde o início que nós vamos traçando o nosso destino. É claro que depois podemos seguir por outros caminhos, mas custa a dobrar. Para além do medo de mudanças na opinião que os outros têm de nós, também nos custa mudar pela nossa própria opinião. Por vezes mudar custa mesmo muito.

Por vezes gostava de dizer o que bem me apetece, o que me dá na real gana. Mas posso passar por ignorante, arrogante, ou rude. Por vezes deixo-me levar pela minha vontade, e digo o que me apetece dizer, sem sequer pensar. Fico sempre mal visto, porque isso não corresponde à nossa imagem. Se calhar por isso às vezes me calo, desnecessariamente. Tudo em defesa da minha imagem.

vida



a vida é bela. não é nada bela, é cruel; só alguém muito ingénuo, que não sabe com que palavras se escreve a vida é que diria uma coisa dessas. a vida é bela. a vida é triste e cruel, repleta de morte, sangue e destruição. a vida é bela. a vida é morte: só com a morte de uns outros podem sobreviver. a vida é morte. a morte é triste. a vida é triste. meu deus, como é a tristeza tão bela! como são a morte, o sangue e a destruição tão belos! a vida é bela.

noite fora




quantas vezes, sem saber o que dizer, optamos pelo silêncio?
é a pior das decisões: não passa da perpetuação do "e se".
eu vou-me calar, e esperar pelo teu perdão, por ter sido rude...

sábado, 31 de outubro de 2009

La marche de l'empereur



"In the harshest place on Earth, love finds a way."

muito mais que um simples documentário

realizado e co-escrito por Luc Jacquet
música de Emilie Simon

(6) porque é que...



...quanto mais nos esforçamos por manter uma ilusão como tal, mais ela se torna real?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Obsessão



Qualquer pessoa que tenha seguido o blog nos últimos dias poderá ficar preocupado comigo: depois de um post chamado Insanidade e de uma correcção onde dizia que me tem sido habitual a falta de palavras, escrevo um post com o nome de Obsessão. E provavelmente não estarei muito bem. Quem está afinal? Ando com a cabeça demasiado cheia... E andar com a cabeça demasiado cheia é mau, ou pelo menos não faz muito bem à saúde... Posso dizer que ando obcecado, como raramente andei... E viver obcecado é como correr à procura do fim do mundo: podemos correr o quanto quisermos, que não faremos mais do que andar às voltas.

Não posso dizer que seja alérgico a obsessões, mas elas não são propriamente saudáveis, se bem que já tenho alguns anticorpos naturais contra elas. Sou uma pessoa constantemente obsecada, se bem que numa intensidade muito inferior aquela por que passo. Mas mesmo estas enchentes são comuns: de x em x dias lá fico eu uma semana, um mês ou meses nos casos mais graves, completamente obsecado. Mas desta vez ela caiu do céu, (um aparte, acabei de ter um deja vu...) .

Ando atrás de algo: essa estátua que está no cimo de uma duna, e que eu tento apanhar. Posso continuar a tentar apanhá-la, ou melhor, vou continuar a tentar apanhá-la, não porque queira, mas porque não consigo apanhar... mas quanto mais corro por essa duna acima, em pior estado ela fica e maior é a probabilidade de a estátua cair desamparada no chão de betão, suavizado por uma leve e fina camada de areia, que não fará mais do que camuflar os milhões de pedaços da estátua, que mais vão parecer poeira. É o mal das obsessões, para além de nos cansar infinitamente, ainda destrói quem e o que nos rodeia, deixando feridas que dificilmente sararão. Felizmente neste meu caso, provocarei escassos estragos em terceiros. Em contrapartida destruo-me a dobrar...

Falta de palavras

Ando com um sério problema de falta de palavras... para além de por vezes não conseguir descrever certos acontecimentos, ainda me esqueço de escrever algumas palavras. Foi o caso do texto Lágrimas de Deus, onde me esqueci do não no meio de «Saramago diga que ele exista.» em relação a Deus. Obrigado ao utilizador MJ que me alertou para isso. Entretanto já corrigi.

(quanto à falta de palavras não foi só para encher chouriços... ando realmente com um grande problema de atenção e concentração... )

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

take just a miserable second #7



"Sitting on a cornflake, waiting for the van to come."

porque é que tudo tem de fazer sentido? fará o sentido sentido?

Prémio «Blog Instigante»



Antes de mais nada agradeço ao blog Bicho-Carpinteiro (tem hiperligação), e à sua autora Austeriana pela distinção. Aconselho a passagem por lá, é um excelente blog onde normalmente há bons debates...

Não sou grande adepto de tops e de listas nem mesmo de prémios. Respeito-os, mas são coisas tão difíceis e susceptíveis de fazer, que por vezes prefiro abster-me de o fazer. Julgo que nunca divulguei nenhum tipo de top ou lista aqui. Por isso mesmo decidi fazê-lo hoje, principalmente porque por vezes, em dias em que não há nada que fazer, e não apetece sair de casa, ter uma lista de blogues pequena...

O prémio pretende distinguir, segundo consta, «Blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, nos provocam a necessidade de reflectir, questionar, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria.»

Bem aqui vai a minha lista de premiados, que segundo a regra devem ser 7. Suponho que quem nos enviou o prémio não o possa receber, caso contrário o Bicho-carpinteiro apareceria...

O Homem Que Sabia Demasiado
casadeosso
Spark Über Alles
Morfina
Tão Cheia de Tudo. Tão Cheia de Nada.
:: originals never fit ::
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Os blogs que nomeei têm todos estilos bastante diferentes. A ordem tem muito que ver com a ordem segundo os conheci. Outros blogs poderiam ter sido nomeados.
isto é ridículo...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

vive cada dia e pode ser que vivas eternamente

saiu-me bem esta, mas tenho quase a certeza que já alguém a disse antes!!!

Insanidade



Não me sinto muito normal. Aliás, eu nunca me achei, nem nunca me senti muito normal. Sempre achei que tenho em mim uma grande dose de insanidade, semelhante à de muitos internados, mas com tipos de manifestações diferentes, e por isso, talvez menos graves. Uma série de instintos que me fazem mexer o corpo sem controlar esse movimento, ter uma série de pensamentos completamente alheados do que me rodeia. No fundo, apesar de maior parte do meu tempo diário ser "normal", eu vivo um pouco fechado em mim próprio, alheio ao exterior, protegido de tudo menos de mim.

escrever sem parar, e sem forma correcta, como se não houvesse leis, como se o Sol nos estivesse a cair em cima, sem apagfar nada, simplesmente escrever aresopiraer deijcontinuar a continar,,,

Pois bem, esta espécie de devaneio trouxe-me à cabeça, o que é "ser normal" afinal? Nunca soube, e não percebo muito bem com que direito pessoas dizem que outras não são normais. E como é que alguém pode internar uma pessoa sem o seu consentimento, num Hospital psiquiátrico, sem que esta tenha feito nada de mal para tal. Preocupa-me esta subjectividade de dados, e tenho medo, sinceramente, de também eu ser um louco, um pobre sem qualquer tipo de noção do que é real. Não sei se isto ainda é praticável, mas sei que já foi.

E "ser normal", o que é "ser normal" afinal? Eu quando digo "é pá aquele gajo não é normal" refiro-me quase sempre a alguém que foge à previsibilidade, à vulgaridade. Mas questiono-me, será que uma pessoa absolutamente vulgar, não é alguém que foge À vulgaridade. Por mais que pense e reflicta não posso deixar de dizer que a designação de "pessoa normal" é ridícula, mas possível: cada vez há mais pessoas que fazem aquilo que se quer que façam, eu diria que isso é uma pessoa normal.

eu até falava mais, e até parece que não ficou muito bem, mas também não interessa muito porque não estava a dizer nada de jeito. o que não é de forma nenhuma anormal.

domingo, 25 de outubro de 2009

"esquece o que eles dizem sobre um grande amor"

"tanta roupa e nada para vestir"

que drama!!!

Lágrimas de Deus


belíssima foto de luís diogo."Tree In the Rain". encontrei-a aqui.

Adoro chuva! Adoro... Ajuda-me a dormir, arrefece-me a temperatura corporal quando me cai em cima, acalma-me... Faz-me vir à memória episódios passados, futuros e presentes, põe-me em reflexão. Desconfio que a chuva tem uma substância qualquer desconhecida, com propriedades aditivas, que me faz entrar numa espécie de transe meditativo. É como se ela trouxesse do céu lágrimas de Deus, da Natureza.

Não sei em que Deus acredito... sei que não é o da Bíblia nem o do Corão, nem nenhum outro registado algures. Não acredito que seja possível existir um só Deus, ou um Deus que se comporte de forma igual para toda a gente. Acho que o Deus que existir, é para nós como nós somos para ele, e para os outros. Por isso não acredito num Deus rigoroso. O meu Deus permite que brinquemos com ele, que lhe mandemos umas bocas. O meu Deus não se importa que Saramago diga que ele não existe, desde que o não faça com maldade. O meu Deus não tem a mania da superioridade, exige respeito, não medo. Nada sei sobre o meu Deus, apenas que ele é muito parecido comigo. Também sei que está triste, com saudades, que também eu sinto.

Deus chora, chora como uma criança que deixa os pais no primeiro dia de aulas. chora quando vê a fome em África, e a falta de vergonha dos Ocidentais, grupo em que naturalmente me incluo. chora quando vê a falta de respeito entre homens, e a sociedade que fede a medo e pudor. O meu Deus sofre por eu não ser o que gostaria que eu fosse, tal como eu sofro. E por isso chora, para aliviar a dor, para ter algum prazer com esse sofrimento. E por isso eu choro. E por isso eu gosto da chuva, das lágrimas de Deus.